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domingo, 13 de novembro de 2016

ARTIGO: As eleições norte-americanas e a vitória de Trump - Por Audálio José Machado

"Com a vitória eleitoral de Donald Trump na última terça-feira, o mundo entrou em um misto de preocupação, incerteza e, para alguns, alegria. O candidato republicano será o 45º presidente norte-americano, sucedendo Barack Obama à partir de 2017. Antes de começar os comentários sobre o que ocorreu e o que talvez possa acontecer com a eleição de Trump, será interessante explicar resumidamente, como funciona o modelo estadunidense de escolha presidencial.

Ao contrário da maioria dos países presidencialistas, os Estados Unidos não utilizam o método de eleição via dois turnos ou por maioria simples. Na realidade, o primeiro país comandado por um presidente eleito no planeta, possui uma fórmula pouco usual de escolha: um colégio eleitoral. Esse colégio eleitoral é composto por 538 delegados divididos entre os 50 estados e o Distrito Federal, nos quais o número de representantes é a soma dos senadores e membros da Câmara de Deputados de cada Unidade Federativa. A quantidade de delegados pode variar entre 3 (Alaska, Dakota do Norte, Dakota do Sul; Delaware; Distrito de Columbia; Montana, Vermont e Wyoming) e 55 (Califórnia). O que ocorre de fato é que o eleitorado de cada estado vota nos candidatos à presidência, e o mais votado leva todos os delegados desse mesmo estado, com exceção do Maine e de Nebraska, que dão 2 votos do colégio eleitoral para o candidato mais votado e um voto para quem vencer em cada uma das regiões (distritos eleitorais) dentro das províncias.

Sabendo dessas informações sobre o complexo sistema eleitoral americano, podemos continuar. Já que o colégio eleitoral é composto por 538 delegados, então, quem conseguir 270 votos é eleito presidente. O modelo americano prioriza muito os grandes estados (com mais de 15 delegados), pois todos os delegados vão para quem tem a maioria dos votos populares. Consequentemente, as campanhas e os gastos são maiores nessas localidades. Além disso, como ocorreu nas eleições deste ano, um candidato com maior votação por parte do eleitorado nacional pode ser derrotado. Hillary Clinton conseguiu aproximadamente 500 mil votos a mais do que Trump, tendo 47,8% dos votos válidos, enquanto o candidato republicano atingiu 47,3%. No entanto, Trump conseguiu 306 delegados, sendo eleito com certa vantagem em relação aos 232 votos da democrata.

Trump venceu uma eleição que a grande maioria dos especialistas e institutos de pesquisa davam como certa para Clinton, e isso teve grande impacto nos mercados financeiros e na mídia ao redor do mundo. Algumas propostas de campanha do republicano assustaram uma grande quantidade de pessoas, mas antes de tirarmos conclusões precisamos tomar conhecimento das principais propostas de Trump, mesmo que resumidamente:

· Ampliar o poderio militar norte-americano;
· Modernizar o arsenal nuclear dos Estados Unidos;
· Redução de impostos para todos os americanos e empresas nacionais;
· Aumento dos empregos e corte de gastos do governo;
· Fim do Obamacare, a lei que implica que todo cidadão americano deve ter plano de saúde;
· Construção de um muro na fronteira com o México e expulsão de todos os imigrantes ilegais;
· Proibição da entrada de muçulmanos no país.

Essas e algumas outras propostas apontam que Trump busca utilizar uma política protecionista, que visa o fortalecimento interno norte-americano, o que pode ocasionar um isolamento parcial dos Estados Unidos da economia global e da geopolítica mundial. Além disto, o novo presidente estadunidense disse durante a campanha que leis ambientais não são sua prioridade e que o aquecimento global seria uma “farsa”. Visto que os Estados Unidos são um dos grandes poluidores do mundo, essa exclusão de medidas antipoluição da pauta do próximo governo pode ter consequências de grande porte.

Audálio José Machado
No seu discurso após a vitória, Trump foi mais comedido e apaziguador, esquecendo um pouco suas propostas “menos progressistas”, que não tinham e não têm forte apoio popular. Agora nos resta aguardar o desenrolar das ações de seu governo, e os impactos que suas políticas terão no Brasil e no mundo. Em uma época em que o planeta volta a enfrentar dilemas religiosos e raciais, a eleição de Donald Trump pode ser o estopim de uma severa piora nesse quadro? Ou será que as preocupações levantadas após a eleição de terça não passam de enganos? Só o tempo e as ações do novo presidente dos Estados Unidos podem nos dizer.

Audálio Machado


Cientista Político (UFPE) e Mestrando em Ciência Política (UFPE)  

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