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sábado, 23 de junho de 2018

Inadimplentes podem ter novas restrições legais, alerta especialista

Fernando Alex fala de novas restrições a inadimplentes (foto: Alison Matias)


Há cerca de dois anos, um caso abriu um precedente importante no Brasil para quem está com o nome sujo com a possibilidade da apreensão da carteira de habilitação, quando da restrição do uso e porte de diversos documentos, incluindo passaporte de um empresário que não pagou sua dívida. Esta decisão inédita no Brasil estabelece que inadimplentes tenham não só a restrição de seu crédito como a impossibilidade de apresentar documentação essencial no seu dia a dia, o que cerceia o seu direito de ir e vir, até a quitação de seus débitos.

Questão bastante delicada para o país que chega a ter 62,1 milhões de negativados, um volume impressionante de consumidores com contas em atraso e registrados em cadastros negativos. “Mesmo com a lenta recuperação econômica em curso, as famílias seguem ainda enfrentando dificuldades para honrar seus compromissos em dia. A reversão desse quadro passa pela continuidade da melhora econômica e, em especial, daquilo que diz respeito ao bolso do consumidor, como emprego e renda, que são variáveis que têm apresentado uma tímida melhora. E essas determinações fazem com que a situação daqueles que estão negativados fica cada vez mais delicada", comenta Fernando Alex, presidente da Empresa Brasileira de Cobranças.

O número de inadimplentes acelerou neste primeiro semestre do ano. Dados revelam um cenário que talvez vá além das expectativas dos especialistas: uma maior incidência de brasileiros negativados na faixa etária entre 30 e 39 anos, de acordo com o SPC Brasil. Percebe-se com isso que mais da metade desta população de consumidores (51%) possui contas em atraso, totalizando aproximadamente 17,6 milhões de inadimplentes em número absoluto. “O que observamos com isso é que as faixas etárias mais jovens estão ficando cada vez mais sem condições de arcar com determinadas despesas. E este cenário não está relacionado à aquisição de supérfluos e sim pelo fato de se tornarem antecipadamente chefes de família, arcando com um número maior de compromissos familiares a pagar, como aluguel, água, luz, entre outras despesas domésticas”, enfatiza Alex.


De acordo com o especialista, que atua no setor de crédito e cobranças há 36 anos, as mudanças estão cada vez maiores o mercado nacional, envolvendo diversos setores que mexem contas, ativos e títulos, por exemplo. Recentemente, foram anunciadas também novas condições das operadoras de crédito e tudo isso vai comprometendo progressivamente o poder de compra e a superação de dívidas dos brasileiros. “Cada vez mais, a gestão financeira das pessoas está prejudicada o que leva o consumidor analisar de que forma pode regularizar ou renegociar suas dívidas. Efetuar seus pagamentos e sair das listas do SPC e Serasa passa a ser um grande sonho distante. Quem conseguir desenvolver planejamentos financeiros cuidadosos poderá dormir mais tranquilo”, destaca.

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