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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Presidente do PSB analisa cenário nacional em entrevista ao Estado de São Paulo. CONFIRA NA ÍNTEGRA



Em entrevista ao jornalista Pedro Venceslau, do jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (11), o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, avalia o atual cenário político do país e as perspectivas do partido para as eleições deste ano. Leia a íntegra:

Presidente do PSB admite negociação com PT e Ciro; Diz que Haddad é opção sem Lula e não há ‘clima’ para acordo com Marina

Após o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa ter desistido, em maio, de concorrer à Presidência da República pelo PSB, o apoio do partido passou ser disputado pelo PT, por Marina Silva (Rede) e por Ciro Gomes (PDT). Em entrevista ao Estado , o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que não vê “clima favorável” no PSB para apoiar Marina e que Fernando Haddad (PT) deveria ser o candidato petista.

O PSB negocia um possível apoio ao candidato presidencial do PT, que, por ora, é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula está preso. Essa situação não é desconfortável?

O PT disse que vai levar até agosto ou setembro a candidatura dele, mas eu, pessoalmente, estou convencido que Lula não poderá ser candidato. Até gostaria que fosse, porque encerraria esse assunto de uma maneira melhor. Mas isso não será possível, e o PT certamente indicará um novo nome para substituí-lo quando chegar no limite do ponto de vista jurídico. Essa interrogação é problemática para a eleição.

Então o PSB está conversando com o PT já tendo em vista que o candidato será outro?

No momento que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotar sua posição definitiva, Lula terá de ser substituído. O candidato apoiado por ele não será desprezível. Há um peso.

Acredita que o ex-prefeito Fernando Haddad será o substituto?

Acredito que sim.

Qual a sua avaliação sobre ele?

Tem experiência. Já foi ministro e prefeito de uma grande cidade. No âmbito do PT, não tem ninguém melhor do que ele. O fato de ser de São Paulo tem o seu peso, já que o eleitorado nordestino, que é grande, o PT já detém.

Como está a conversa com os interlocutores do PT?

Tem acontecido. Temos o interesse do apoio deles em alguns Estados e, em outros, podemos apoiá-los. Há conversas também com o PDT. O Podemos nos procurou, e o (ex-governador de São Paulo e candidato à Presidência pelo PSDB) Geraldo Alckmin esteve comigo em Brasília na sede do partido. Há vários interessados no nosso apoio.

O que achou dos números da última pesquisa Datafolha? Acredita que Jair Bolsonaro vai para o segundo turno?

Espero que não, mas ninguém tem certeza disso. A pesquisa mostrou um certo grau de indefinição, mas, ao mesmo tempo, indicou a possibilidade de afunilamento (das candidaturas). A centro-direita não vai sair pulverizada como se encontra nesse momento.

O PSB já não cogita mais apoiar o Alckmin. Como fica a situação do governador Márcio França em São Paulo se o partido apoiar um nome da esquerda?

O Márcio tem uma longa trajetória de parceria com Alckmin e o PSDB de São Paulo. Ele tem dito que o apoiará e nós respeitaremos.

O PSB está sendo assediado pelo PT, Ciro Gomes e Marina Silva. Como está o debate interno?

O congresso nacional do PSB colocou três hipóteses para a executiva: a primeira, que era ter candidatura própria, se esvaiu com a desistência de Joaquim Barbosa; a segunda é fazer aliança com os partidos que estão mais próximos do ponto de vista programático; e a terceira, não fazer coligação formal com nenhum candidato. Essas duas últimas hipóteses estão em debate. Temos dez (pré-)candidatos a governador, por isso, temos muito cuidado para não prejudicá-los. Levaremos pelo menos até o fim do mês para tomar uma decisão concreta sobre o caminho que iremos adotar. A prioridade do partido é ampliar suas bancadas na Câmara e no Senado e eleger o maior número de governadores possível.

Há alguma possibilidade do PSB apoiar Marina Silva? A Rede sinaliza que gostaria de compor com o partido.

Ela é uma candidata forte. Nunca dissemos sim ou não para ela, mas estranhamos o fato de o partido dela ter rompido, há pouco menos de dois meses, com dois governadores do PSB, do Distrito Federal e de Pernambuco. O governador da Paraíba ela nunca apoiou. É estranho ela querer apoio e romper com governos do PSB. Não consigo entender isso. Passamos a não considerar essa hipótese. Neste momento, não vejo clima favorável para (apoiar) essa candidatura presidencial. É muito estranho que queiram um apoio nacional quando se rompe sem motivos relevantes. Até hoje não sabemos a razão desse rompimento. A política é de mão dupla.

É possível recompor a relação com Marina ?

Acho muito difícil, mas, na política, nunca devemos dizer nunca ou jamais. Mas acho remota essa possibilidade.

Ciro Gomes é quem hoje está mais próximo do PSB?

Tanto o PDT quanto o PT têm nos procurado com bastante frequência. Ambos mostraram possibilidades de apoio aos nossos candidatos. Vamos conversar e ver se esses apoios de fato se concretizam. Não é possível ficar apenas na palavra. É necessário que façam ações concretas em torno das soluções estaduais. Não é possível que o apoio seja unilateral.

Ciro Gomes poderia escolher o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda como vice na chapa num acordo com o PSB? O que acha dessa ideia?

Se houver a coligação com o PDT em torno da candidatura do Ciro, eu simpatizo muito com a hipótese do Márcio Lacerda ser o vice dele.

Existe alguma chance de Joaquim Barbosa mudar de ideia e entrar na disputa para a Presidência da República?

Não considero essa possibilidade. Seria uma surpresa para nós. Desde o dia que ele desistiu, não nos procurou mais. Soube que ele estaria viajando para Japão e China. Uma candidatura presidencial é algo muito sério para ficar nesse vai e volta. Não cogitamos essa possibilidade.

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