sábado, 3 de julho de 2010

O fim da baboseira de jogar feio e ser campeão, eu quero o futebol de volta!


O Brasil sempre elevou Telê Santana à categoria dos mitos do seu futebol. Talvez as duas maiores injustiças na história da bola tenham acontecido com o Brasil. Em 1950, no Maracanã, quando jogava pelo empate (naquela época poderia), fez um a zero, e levou a virada do Uruguai, calando mais de 200 mil torcedores presentes. A outra foi a seleção mágica de 1982.
Goleiro: Valdir Peres (São Paulo)
Lateral direito: Leandro (Flamengo)
Beque Central: Oscar (São Paulo)
Quuarto Zagueiro: Luisinho (Atlético Mineiro)
Lateral Esquerdo: Júnior (Flamengo)
Volante: Cerezo (Atlético Mineiro)
Volante: Falcão (Roma)
Meia-Direita: Sócrates (Corinthians)
Meia-Esquerda: Zico (Flamengo)
Centro Avante: Serginho (São Paulo)
Ponta-Esquerda: Éder (Atlético Mineiro)
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No banco ainda tinha: Paulo Sérgio (Botafogo), Carlos (Ponte Preta), Edevaldo (Internacional), Edinho (Fluminense), Juninho (Ponte Preta), Pedrinho (Vasco), Batista (Grêmio), Paulo Isidoro (Grêmio), Dirceu (Atlético de Madrid), Renato (São Paulo), Roberto Dinamite (Vasco). Técnico: Telê Santana.
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Farei duas observações:
1) Vejam onde jogavam os jogadores, exceto Falcão e Dirceu, todo o restante jogava no Brasil, eram ídolos em suas equipes, e esse dois só saíram depois que já estavam consagrados, o Brasil amava aquele time. Dentro e fora de campo eram exemplos de caráter e craques em suas funções dentro da partida. De vez em quando tinha também os deslizes explosivos, mas era como se fizesse parte do espetáculo. Eram eles Serginho, Renato Gaúcho, Eder, entre outros, mas na bola, não tinha chutão, saía bonito pelas laterais com Junior ou Leandro, ainda tinha bom passe com uma zaga clássica de Luisinho e Oscar. Os volantes Cerezo e Falcão, este último a elegância em jogar! O meio, meu Deus, o doutor Sócrates e Zico, que o pecado de não vencer uma copa não o levou ao panteon dos imortais mundiais como Beckenbauer ou Maradona. Na frente, o Brasil pedia o segundo ponteiro, pela direita o povo queria Renato Gaúcho, formando um trio de ataque. Além de Renato, o Brasil não teve Careca, o artilheiro que faria uma história diferente em 82, e eu ainda apostaria em Nunes, do Flamengo e do Santa Cruz, que fez o gol do mundial inter-clubes para o rubro-negro carioca. Mas era uma seleção verdadeiramente brasileira. Jogava um futebol que fazia o povo se orgulhar, torcia e jogava junto, Telê Santana também era chato, mas tinha aquele jeitão de pai ou de avô da gente, como se brigasse porque queria o melhor, o povo entendia e acreditava nele! Aí perdeu, e este é o segundo ponto:
2) Tivemos as derrotas de 82 e 86, com o futebol-arte, espetáculo puro do futebol jogado com criatividade. Eram jogadas belíssimas, geniais, toques de bola, lançamentos, golaços. Definitivamente, Telê Santana procurava convocar os melhores em cada posição. Com as derrotas, e a busca de um novo jeito de jogar que fosse campeão o Brasil fez duas experiências. Em 1990 importou a burocracia alemã e o esquema italiano de jogar, que estava dando certo pra lá. Era um esquema fechado e atrás dos zagueiros ainda tinha um homem na cobertura, com liberdade de avançar para o ataque e que coordenava o time em campo, era o líbero. O técnico responsável de importar esse sistema foi Sebastião Lazaroni. Não tivemos sucesso. Fizemos as três partidas da primeira fase muito ruins e pegamos a Argentina. No melhor jogo do Brasil naquela copa, talvez pela rivalidade, metemos três bolas na trave e perdemos por um a zero, num contra-ataque puxado por Maradona e concluído por Caniggia. Mas 90 foi esquecida, ninguém fala que jogou feio e perdeu. Fala de 82 que jogou bonito e perdeu. A segunda experiência foi a retranca de Parreira. Foi introduzida a nova filosofia que ainda hoje é seguida. A de que Copa do Mundo é um torneio de tiro curto, e que mais importante que fazer gols é não levar. Até que Parreira usou a seguinte frase: "O gol é somente um detalhe!". Mas deu certo, tinha os jogadores que queria pra implementar o plano tático. Usou nove jogadores para fechar do meio pra tras e deu liberdade a dois jogadores acima da média e no auge de suas carreiras, Romário e Bebeto. Assim, o Brasil foi vencendo seus adversários por um a zero, era só o que precisava pra ser campeão mundial, e foi! Mudando o ritmo do futebol. Ali, todo mundo entendeu o recado e as seleções que jogavam pra cima, com seus melhores jogadores, foam puxando o freio de mão e tirando jogadores do ataque para fechar o meio-de-campo e a entrada da área. Por isso, hoje tem times que jogam com três zagueiros, outros com três volantes, e alguns times chegam a jogar somente com um homem no ataque. Fomos perdendo os craques. Quantos nesta seleção de Dunga temos? E nas outras seleções? Acho que esta foi a copa que tivemos menos jogadores diferenciados. O mundo agora é uma retranca. Em 1998. ninguém fala do esquema, somente do apagão misterioso de Ronaldo. Em 2002 foi Felipão, que mesmo fechando o time como queria, contava com dois jogadores que decidiram para o Brasil, Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, este pernambucano foi o melhor jogador da copa, e se tivesse a badalação que outros têm e se deixasse vender pelo marketing, estaria endeusado no mundo da bola brasileira. Agora 2006 e 2010, duas copas no melhor estilo 1994. Não deram certo, não é o estilo brasileiro. E essa agora, mostrou que o mundo precisa voltar a acreditar em seus atacantes, não podemos viver de Felipe Melo e Gilberto Silva, queremos o futebol que se perdeu no tempo e está pedindo pra voltar. Precisamos acabar com esta baboseira que foi criada que time campeão joga feio, que nada! Vejam, as seleções campeãs em copas do mundo são as que jogam pra frente, procurando o gol, a exceção foi o Brasil de 1994, e foi nos pênaltys. (Exceto a Itália, que sempre jogou feio mesmo!)
Poderia ter sido diferente se o Ernani do São Paulo estivesse organizando a entrada da área. De uma coisa eu tenho certeza, ele não dividiria aquela bola com Julio Cesar nem pisaria maldosamente o jogador holandês. Teríamos uma saída de bola de qualidade. Na frente sentimos falta de maloqueiragem, de um menino que botasse a bola na frente e pudesse dividir com Robinho a responsabilidade de puxar o time pro ataque com velocidade, e onde estavam Neymar? Pato? No banco de reservas um pelotão de soldados para proteger a entrada da área. E no meio, coitado do Kaká, sozinho jogado no meio das feras, tocava pro lado e achava quem? quem? quem? Quando tinha o Elano, ainda se encontrava alguma coisa! Faltou o Ganso, faltou o Ronaldinho Gaúcho, faltou experiência, traquilidade, etc. Pra fazer o que Grafite fez nessa copa poderia ter levado até semi-aposentados como Ronaldo Gordo, Rivaldo, Juninho Pernambucano, Brasão, Tonho de Olegário, etc.
Por isso, gente, precisamos entender, de uma vez por todas, que o Brasil é diferente, é arte e poesia, até mesmo no futebol. E que os tempos de João Saldanha, Armando Nogueira e Telê Santana, voltem aos gramados brasileiros substituindo os xerifões, delegados, soldados e lutadores de vale-tudo que se transvestem de jogadores e técnicos de futebol.
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RÁDIO MÚSICA BRASIL MPB

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