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quarta-feira, 30 de julho de 2014

FIG 2014: A praça lotada e outras anotações




A praça é do povo como o céu é do condor, dizia o poeta Castro Alves. Mas a praça ficou pequena para o povo que queria ver Fábio Júnior e José Augusto na noite de sexta-feita do Festival de Inverno de Garanhuns. Por quê?

Tínhamos um público em torno de 60 mil pessoas na Esplanada Cultural Mestre Dominguinhos, às 23h, portanto, para os padrões do FIG, ainda cedo da noite, e devido à lotação do espaço, a Polícia Militar acertou em fechar a praça, deixando muita gente sem acesso ao principal polo do maior evento Multicultural da América Latina. Não dá pra saber quantas pessoas não entraram na praça, pois muitas já não saíram de casa ou procuraram outras programações ao ficarem sabendo.

Mas vamos entender o porquê da praça lotar.

A noite era de sexta-feira, a segunda do FIG, e tradicionalmente, os finais de semana são de maior público em todos os polos. Nos últimos anos tivemos uma queda nos grandes nomes nacionais nos palcos instrumental e pop, acabando por concentrar mais na Esplanada. Lobão, Pitty, Los Hermanos, entre outros, já estiveram tocando no parque, numa estrutura maior do que é hoje. Quinteto Violado, Geraldo Azevedo e Xangay já tocaram no Pau Pombo. Assim, em outros tempos, o público se dividia nas noites mais movimentadas. Some-se a isto Fábio Jr. e José Augusto serem artistas populares, que têm enorme público cativo na região. E estavam na mesma noite.

Mas... 60 mil pessoas não chega nem perto dos maiores públicos do Festival. Creio que em anos passados chegamos a ter 80 mil pessoas festejando seus ídolos na praça. Talvez até mais, portanto, de lá pra cá, a praça encolheu. 

Os camarotes invadiram o espaço do povo, deixando parte da rua para ser instalado totalmente sobre a praça. E parece que a cada ano invade um metro. As barracas do lado de cima também ficaram maiores, com mesas e cadeiras, criando um espaço por vezes mais exclusivo que os próprios camarotes. Ainda fecharam por trás das barracas, impedindo o fluxo. Ainda tem isso, com entradas e saídas bloqueadas, a praça ficou sem mobilidade.

No ano de RPM, quem tocou no parque foi Los Hermanos, que terminou antes de Paulo Ricardo e Cia, e acho que mais de 20 mil pessoas que curtiram Ana Júlia vieram para a praça, numa multidão incontável, que só pude presenciar no Galo da Madrugada. Mas coube todo mundo.

Por isto, acho que precisamos debater esta situação. A praça precisa voltar a crescer. Não dá pra imaginar alguém vir de Natal ou Feira de Santana e chegar aqui e não ter acesso à praça às 11h da noite, ainda no início do segundo show. Precisa-se resolver a questão da antiga rodoviária, retornar os camarotes em alguns metros, oferecendo espaço a milhares de pessoas. Melhorar a visibilidade de quem fica lá atrás, já que não colocaram mais telões, e o som foi pouco. Entre outras medidas.

Precisa-se também rever o sistema de cobrança dos valores das barracas, que é caro e desorganizado, o que acaba sobrando para os consumidores, principalmente turistas.

Ajudou este ano não ter a área vip da Fundarpe, uma aberração criada no ano passado para beneficiar uma minoria na frente do palco. O povo, de Garanhuns ou não, principal destinatário da festa, gostou.

Vamos entrar em outra questão. Quem pegou barraca este ano no Parque Euclides Dourado, dançou. Com cinco dias a menos, muitos não tiraram o que foi investido. A Fundarpe deixou a estrutura armada do palco Pop/Forró e a prefeitura não soube aproveitar para colocar tantos artistas locais que ficaram de fora, e o Festival acabou com a menor participação de nossos artistas dos últimos dez anos. Tinha dia que não tinha nem na Praça Dominguinhos. Ninguém entendeu a seletiva, com a apresentação de artistas que vêm se repetindo nos palcos de todos os eventos da cidade.

Voltando ao Parque Euclides Dourado, com menos movimentação durante a semana, o povo deixou pra sair mais nos finais de semana, concentrando mais uma vez na Esplanada Cultural Mestre Dominguinhos. Assim, tem que lotar mesmo!

Erros que a gente espera não ver mais no ano que vem, e tenhamos um Festival de Inverno em sua plenitude.

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