segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O que é brasileiro e o que é regional para a mídia nacional



A mídia nacional é construída no eixo Rio-São Paulo, e para eles, o que é feito ali é Brasil. O restante é regionalismo. Por isto o funk carioca é nacional e o forró enaltecido em metade do país é "apenas" música regional de época. Infelizmente grande parte da população, principalmente jovens, se deixa levar por esta lavagem cerebral que colocam na mídia em geral todos os dias. 

Para eles se a massa torcer pelos grandes times que estão na televisão ou consumir a mesma música imbecilizada é mais fácil conduzir a boiada.

Esta linha de condução da mídia a partir de um olhar centralizador no sudeste, é disseminado por todos os produtos. Há sempre um matuto ou amazônico que vai ao Rio de Janeiro pela primeira vez, e nunca um carioca descobrindo a floresta e os encantos de uma festa no sertão. No futebol, jogador bom tem que ir pro Flamengo, Corinthians, Palmeiras ou São Paulo. O descarte vai para BH ou Poá, e as sobras jogam pra gente. Repito, na idiótica visão de comentaristas preconceituosos como Edmundo, este final de semana. Ele disse que Gilberto, do São Paulo, tinha um futebolzinho para jogar no Náutico. Ora, o próprio Tricolor Paulista tá uma barca e o Vasco dele tá um elevador, descendo e subindo dos andares A e B.

ELBA, UMA DAS MAIS BRASILEIRAS CANTORAS DO PAÍS
Voltando a este Brasil x Regional.

Elba Ramalho, uma das maiores cantoras da história deste país, assim como Dominguinhos, sempre disputaram prêmios de música regional, e o samba carioca é brasileiro. Porque Tom Jobim é brasileiro e Luiz Gonzaga é regional?

Poucas cantoras do país são tão brasileiras quanto Elba Ramalho.

Brioche é nacional, para a mídia, e nosso cuscuz é regional. O Boi de Parintins é tão brasileiro quanto os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Mas a mídia nacional nem dá atenção, pois fica longe, lá no meio da floresta. O desfile na Sapucaí parece campeonato de futebol e todo mundo tem um time, ou melhor, escola de samba para torcer!

Quanto mais se formatar como nacional o que está pertinho da indústria midiática, mais fácil para eles é reproduzir e exportar, e claro, ganhar dinheiro e controlar as cabeças.

O descartável, como as novas musas do funk carioca ou do pseudo-sertanejo de gente mal-amada, é barato para quem produz e caro para quem consome, e a ciranda da mídia tem que estar construindo ídolos a cada temporada, pois é melhor gerar algo novo do que perder tempo buscando reerguer carreiras.

Tudo isto a partir de pre-conceitos de que o que é bom, está no Rio ou São Paulo, e que deve ser consumido por todos nós. Não se enganem achando que este sertanejo aí nasceu na roça, ele vem dos estúdios e escritórios das metrópoles sudestinas.

Arriégua!

RÁDIO MÚSICA BRASIL MPB

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