sábado, 21 de agosto de 2010

Professor Antonio Vilela é destaque no Ceará

(Fonte: Diário do Nordeste)

Com uma conferência sobre "Lampião no Agreste Pernambucano", pronunciada pelo escritor Antônio Vilela de Garanhuns Pernambuco, será encerrado, amanhã, o "Cariri Cangaço", que reuniu mais de 200 participantes da maioria dos Estados do Brasil, nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha e Aurora. Ontem, em Missão Velha, o tema principal do evento foi a trajetória empresarial de Delmiro Gouveia, um cearense de Ipu, nascido em 5 de junho de 1863, na Fazenda Boa Vista. No início do século, ele se transformou num dos maiores empresários do Nordeste.

Delmiro inaugurou a primeira usina elétrica do País, a Usina Angiquinhos, que era denominada de "Ninho da Águia", localizada em um penhasco de 84 metros de altura, aproveitando a queda da Cachoeira de Paulo Afonso. Antes mesmo que Recife (a maior metrópole do Nordeste) tivesse energia pública regular, a hidrelétrica produzia 1.500 cavalos vapor e, além de iluminar a vila operária, movia as máquinas da fábrica de linha, dois geradores e, ainda, uma bomba hidráulica.

Delmiro levou para os sertões nordestinos os primeiros carros que assombraram os "matutos", implantou tecnologia na agricultura e construiu uma via férrea. No antigo povoado de Pedra, a 300km de Maceió, hoje batizada com o seu nome, implantou a Companhia Agro Fabril Mercantil (fundada em 1914), a primeira na América do Sul a fabricar linhas para costura e fios para malharia. Os operários tinham jornada de 8 horas, além de moradia, creche, escola, cinema e assistência médica gratuitas, inovações que ainda hoje não chegaram no mapa do Brasil mais arcaico.

Em 10 de outubro de 1917, Delmiro Gouveia foi assassinado a tiros, em circunstâncias, até hoje não esclarecidas, quando lia jornal na varanda de sua casa. Deixou um rastro de progresso por onde passou e um exemplo de empreendedorismo. Antecipou conquistas sociais que, até hoje, não foram conseguidas pela esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros na sua luta de convivência com a seca no semiárido.

Este ano, o "Cariri Cangaço" não ficou restrito apenas ao cangaceirismo, um fenômeno social, que marcou a vida do Nordeste sem lei. Foram levantados assuntos religiosos, sociais, messiânicos e personagens como Antônio Conselheiro, Padre Cícero, o beato José Lourenço, Delmiro Gouveia Marica Macedo e Carlos Prestes, que marcaram a história nordestina.

No evento, que durou oito dias, foram pronunciadas 16 conferências pelos mais renomados pesquisadores da chamada literatura lapiônica. Para o curador do evento, Manoel Severo, o "Cariri Cangaço" contribuiu para a integração dos municípios da Região Metropolitana do Cariri.

200 pessoas, aproximadamente, participaram do "Cariri Cangaço", realizado em várias cidades da região. Foram quase 100 pesquisadores. O evento teve 16 conferências em 8 dias

MAIS INFORMAÇÕES

Secretaria de Cultural do Crato, Centro Cultural Araripe
Região do Cariri
(88) 3523.2365




Casa de força de distribuição de energia onde funcionou a 1ª hidroelétrica do NE, construída por Delmiro Gouveia


Reportagem: ANTÔNIO VICELMO

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