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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O que Garanhuns tem a aprender com Gramado? - Impressões de viagem!

Ruas limpas e carros em velocidade moderada param quando o pedestre busca atravessar a rua (na faixa)

Espetáculo Nativitat, show de luzes, música, fogos de artifício e balé das águas

Maria Fumaça é uma espécie de Trem do Forró, com artistas regionais. 
Faz o trajeto das cidades de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa

À noite, as principais avenidas ficam iluminadas. Um show à parte com luzes e decoração de materiais reciclados

Vários passeios à fábricas, como esta, de cristais e artigos de decoração em vidro. 
Muitos parques, museus... Tem sempre algo para se ver!

Muitos museus que são visitados pelos grupos de turistas

Várias lojas de artesanato são receitas de compras certas para os turistas

Em todos os lugares, muitas flores. Nas praças e nos jardins das casas. Aliás, é comum as casas não terem muros


Nas lojas, como esta de chocolate, sempre tem alguma coisa divertida para chamar a atenção dos turistas

No Lago Negro, os pedalinhos são a atração de um espaço verde muito bonito. No parque tem passeio, restaurante, lojas de artesanato, e muito mais.


A serra gaúcha escolheu viver do turismo, assim sendo, até a indústria, a produção rural e o comércio se valem do turismo para incrementar suas vendas. O comércio abre em horário estendido e oferece praticidade. Alguns restaurantes oferecem traslado para pegar e levar o turista de volta ao hotel. Nas cidades que visitamos, sempre existem visitas às principais fábricas, e em todas elas existem as lojas que vendem diretamente ao consumidor/turista.

Foi assim com a Tramontina na cidade de Carlos Barbosa (aliás, tivemos a felicidade de encontrar Ivo Tramontina). Conhecemos a Picadilly na cidade de Igrejinha. Em Nova Petrópolis fomos às malharias e na loja de fábrica da Dakota. Fomos principalmente às vinícolas. Em Garibaldi, fomos à vinícola homônima. Em Canela estivemos na Vinícola Jolimont, e em Bento Gonçalves, visitamos a Vinícola Aurora. Cartões de crédito sempre a postos!

Em Gramado visitamos várias chocolatarias. Também fomos às lojas das fábricas de artigos de couro, inclusive confecção, como a Black Bull. Fomos à fábrica de cristais, onde vimos a produção in loco de vasos e outros objetos. Claro, zuadinha de máquina registradora!

Tudo isso, encaminhados pelo próprio guia da excurção. Faz parte da dinâmica, da indústria do turismo. Ele tem suas comissões, leva todo mundo, os preços são razoavelmente mais baixos (nem sempre), e todo mundo ganha.

O turista acaba gastando, às vezes mais que deveria, porém devido à oferta de ter onde e com que se gastar! Você está sempre impactado pela indústria do turismo. Os bares e restaurantes são espetaculares.

Mesmo privilegiando o turismo, a região tem muitas indústrias.

Em Gramado tem fábrica de cerveja artesanal. Uma delas especial que faz do trigo. Preço da garrafa: R$ 12,00. Todo mundo bebe para experimentar, gosta e acaba bebendo mais. Conhecemos também a Grappa, uma espécie de cachaça que se faz da uva. Tudo tem degustação!

A atividade turística é fonte de receita ativamente. Em todos os parques públicos, restaurantes, lojas, ou qualquer lugar, haverá sempre uma forma do turista gastar seu dinheiro. E não é que seja errado, estão certíssimos, as pessoas viajam e querem viver a cidade mesmo. Gasta quem quiser, mas quem viajou daqui pra lá, fez uma economias, ou já botou o 13º pra girar antecipadamente.

Porém, há algum tempo atrás, poucos eram os que podiam viajar para lugares assim. Hoje, com um apertinho aqui e acolá, dá! Para o Natal Luz de 2012, a EliasTur já tem 28 pacotes vendidos, somente de Garanhuns. Outro grupo vai para a Argentina!

Exemplo de atividade econômica: Em quase todas as churrascarias têm pequenas lojas de artigos regionais. Camisetas, cachaças, vinhos, cuias de chimarrão, ervas, chaveiros, canetas, e tudo mais de souvenirs de viagem que possam imaginar. Ainda tiram fotos nas mesas colocando roupas de gaúchos no povo para vendê-la depois. Aliás, tem-se fotografias em quase todos os lugares.

Outro exemplo é a utilização de espaços públicos por empresas.
Primeiro: Paga-se para entrar nos parques, para sua manutenção e para que se possa oferecer mais equipamentos turísticos. E ainda assim, tem várias opções privadas dentro dos parques. São bares, restaurantes, sorveterias, lojas de confecção, passeios em trenzinhos, pedalinhos, etc. Em Canela, no Parque Estadual, tem até uma estrutura de 40 metros, com elevador, que leva o turista a ter uma visão privilegiada do parque e da cachoeira maravilhosa. Nesta estrutura tem também loja com bonecos, confecção, bisquis, chaveiros, ou seja, novas lembranças do passeio. Tem também a opção de um mirante de graça, mas a grande maioria opta por subir na estrutura para ter esta visão. Preço, para o grupo foi de R$ 8,00 por pessoa.

Tem também o teleférico, que fica do lado oposto que estivemos no parque. Pago também!

Pergunto a vocês: Quando foi a última vez que entraram no Pau-Pombo? Que eu lembre, só passo pelo belíssimo parque no Festival de Inverno. É um parque para turista que precisa ser melhor explorado. Precisa ter um serviço melhor oferecido de bares e restaurantes lá dentro. Com loja de souvenirs, sorveteria, passeios ecológicos, rampas para a garotada, ... tudo isso para fazer o turista investir na cidade. Hoje ele entra e sai daquele espaço lúdico natural e não deixa um real.

Imagine um restaurante no Parque Euclides Dourado. Mas não pode ser qualquer restaurante, tem que ter um quê turístico. Imaginem se ele fosse em uma estrutura no meio da copa das árvores. Sei lá. Algo diferente, que virasse também um ponto turístico.

Por falar em árvores, imaginamos também diversas atividades como rapel, esportes radicais, etc.

Alguém me disse que a ideia de Bartolomeu para o lago onde existe o campo de futebol foi inspirado no Lago Negro de Gramado. Outro exemplo de iniciativa que une a iniciativa privada ao poder público. Ali, uma empresa explora a atividade turística. O Lago Negro, além de contar com infra-estrutura de bares/restaurantes e lojas, tem também o passeio em carro elétrico por dentro do parque e os famosos e lindos pedalinhos, onde as pessoas alugam o cisnezinho para navegar pelo lago. Claro, tudo pago! É para turista investir, e o povo da cidade trabalhar.

É também em um lago, no centro de Gramado, que acontece o espetáculo Nativitat. Magnífico!!! Procurem no youtube! Show de música natalina em opereta, com fogos de artífício e balé das águas. Impressionante!! Temos que voltar lá!!

...E outra coisa, ouvi umas três vezes por lá: Explorar o turismo não é explorar o turista! A pessoa que deixa sua casa e viaja para conhecer outros lugares, ele até quer investir seu dinheiro em objetos, roupas, comida, e passeios que lhe ofereçam bem-estar e boas recordações, mas tudo isto tem que valer a pena, pois ele vai repassar para outras pessoas as suas impressões daquele lugar.

Respondam-me: Quanto gasta em média um turista que visita hoje nossos principais pontos turísticos? Relógio das Flores, Cristo do Magano, Pau-Pombo, Euclides Dourado, Mãe-Rainha, Mosteiro, Seminário, Centro Cultural, etc.

Respondo: É capaz dele visitar tudo isso e não deixar um centavo na cidade. Perceberam? Até o Mosteiro tem sua lojinha de lembranças, com pães caseiros, vinho, chocolates, etc.

O artesanato do Pau-Pombo, Mãe-Rainha e do Relógio das Flores está muito aquém da visão profissional que se tem em Gramado, mas pelo menos existem. Precisamos profissionalizar.

Falta-nos foco. Se é pra viver do turismo, precisamos de incremento em nossos pontos turísticos que motivem o nosso visitante a deixar seu dinheiro por aqui e assim movimentar nossa economia.

Querem mais sugestões? Passeios às nossas fábricas. O que temos que podemos mostrar? A fabricação de café. Tá aí, a torrefação do Café Ouro Verde, um orgulho de Garanhuns exportado para vários estados. Temos a cachaçaria Nordestina, com vários produtos, inclusive a Vodka Nordoff que tem sido um sucesso. Temos o Chocolate Sete Colinas. Temos a Jatobá, que poderia criar um selo especial para turistas. Temos as Fontes de Águas Minerais. Imaginem a Serra Branca recepcionando as pessoas e falando das maravilhas da nossa água, inclusive o processo de industrialização.

Garanhuns tem um enorme potencial turístico que nenhuma outra cidade de Pernambuco tem.

E pensando regionalmente, já que lá em Gramado visitamos sete cidades da região. Poderíamos ter um passeio aos laticínios caseiros de São Bento do Una. Outro às selarias de couro e aço de Cachoeirinha. À Perdigão em Bom Conselho. E por aí vai.

Mas precisamos de um plano integrado de desenvolvimento turístico, com profissionalismo e planejamento a curto, médio e longo prazo. Contudo, alguma coisa precisa ser feita de imediato.

Outra sugestão é a intervenção no Pau-Pombo. Imagina aquele espaço com iluminação especial e com atividades no período da noite, com boa música, jazz & blues, vinhos, chocolates, etc. Funcionando somente sextas e sábados, aí pode até cobrar que o turista vai, e também nossa gente.

Mas não dá pra no outro dia tá tocando fuleragem music.

Em Gramado, tudo é turismo!  A decoração nataliza da cidade é outro espetáculo à parte. Feita em parte de reciclado, parecem verdadeiros cristais embelezando praças e ruas. As luzes estão por toda parte, e somente acendem às 20h30. Aliás, em Gramado está anoitecendo perto das 20h. A rua coberta tem atrações todas as noites, e as agências de viagem recebem a programação com antecedência para poder fechar os pacotes.

O Cinema/Teatro de Gramado, onde acontece o famoso festival, guarda as características durante todo o ano. Pergunto: Onde podemos ver hoje/agora, algo sobre o Festival de Inverno de Garanhuns?

Na recepção do Hotel San Lucas, onde nos hospedamos em Gramado, conhecemos um casal de Santa Catarina, que há dois anos veio para o São João de Caruaru e a empresa de turismo os trouxe para conhecer Garanhuns, a terra do Presidente Lula. Pergunto: O que encontraram aqui? O que temos em nossa cidade que utilize a imagem de Lula como homenagem ao filho ilustre e que seja fonte de visitação turística?

É urgente resolvemos estas duas questões. Se queremos que o Festival de Inverno seja reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil, precisamos preservá-lo e enaltecê-lo. Precisamos urgentemente de um museu multimídia que garanta durante todo o ano a vitrine do nosso maior evento.

E precisamos do Museu do Lula. Pra ontem!

Em Gramado existem mais de uma dezena de museus. Não que sejam coleções de coisas antigas que ninguém quer ver. Na verdade são pequenas mostras que aguçam a curiosidade. Museu do Automóvel, aliás tem também o Super Carros, com Ferrari, Lamborghini, Mustang, Camaro, Pick-ps, etc, que as pessoas podem inclusive alugar para dar uma volta na cidade. Tem Museu de cera, Mini-Mundo, Fábrica do Papai Noel, etc. Em todos eles, particulares, paga para entrar.

Gramado, e todas as outras cidades da região são limpíssimas, não se encontra um papel de confeito nas ruas. Jardins bem cuidados, flores por toda parte, aliás, pouco se vê o trabalho do poder público, pois a própria população faz sua parte. Não vimos garis, carros da prefeitura, etc.

Grande parte dos espetáculos é patrocinado pelos próprios empresários locais.

Os meios-fios estão sempre pintados, também as faixas de pedestres, e por falar em faixas de pedestres, em Gramado não tem semáforo, sabem como os carros param? Quando o pedestre se aproxima para atravessar a rua. Estão educados para isto. Não imagino isto em Garanhuns, até por conta da nossa formação, somos também três vezes maior que Gramado, mas neste período do ano a cidade dobra lá, porém quem chega na cidade, logo se ambienta com os costumes locais. Os motoristas na cidade respeitam a sinalização e o limite de velocidade. Impressionante! Faz parte da mística cultural que envolve a cidade.

Em todos os lugares, flores, mais flores, muitas flores. Em várias espécies. Em Nova Petrópolis tem uma Praça das Flores, belíssima. Mais à frente, um labirinto feito de plantas faz a festa dos turistas, que sem pagar nada, divertem-se buscando chegar no meio do equipamento turístico.

Precisamos também de uma programação cultural. Aliás, duas! A primeira tem que ser cotidiana. Tem que haver sempre alguma coisa interessante para se fazer nos finais de semana, tanto para nossa gente quanto para o turista. Peças de teatro, apresentações de música de qualidade, espetáculos, etc.
A outra é a programação dos grandes eventos. Acredito que pouca gente se desloca de uma cidade para outra, de uma região para outra para ver somente os pontos turísticos, praças e prédios, ruas e monumentos. As pessoas querem assistir, querem ver gente fazendo algo de impressionante!

Por isso precisamos de algo impactante em nossos grandes eventos. Por exemplo, nosso Natal dos Sonhos tem que ter grandes apresentações. E aí depois, começar a espalhar a boa notícia por Maceió, Recife, Caruaru, Campina Grande, etc, que o povo vem!

Erramos até na divulgação do Festival de Inverno. A Fundarpe soltou a programação a quinze dias do evento, depois ainda teve alteração, e não divulgou nos grandes centros urbanos do Nordeste, onde estão nossos públicos-alvo.

Se perceberam, a gente volta fervilhando de ideias quando viaja, quando vê o que funciona em cidades turísticas pelo país. Todos ficam deslumbrados e querendo colocar em prática, às vezes coisas simples, do que tem feito de cidades relativamente pequenas feito Gramado, tornarem-se exemplos de atividade turística para o restante do país, inclusive e especialmente, a nossa Garanhuns.

Desculpas pelo texto extenso, mas precisava descrever estas sensações de viagem. Acreditem, vai ter muito mais!


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