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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Em respeito a Selma Mello, e pelo bom senso no debate sobre a redução da maioridade penal



Acompanho o trabalho de Selma Mello há uns 20 anos. Pessoa simples, batalhadora, apaixonada pelo que faz, que vai vencendo desafios na educação e na busca pela ressocialização de detentos, além de outras ações sociais.

Também conheço Gil PM. Vereador atuante, que tem buscado aproximação com a população. Polêmico, Gil não se furta de dar sua opinião e de brigar por ela. E por isto ultrapassou o limite entre o debate e a agressão verbal.

Na última semana aconteceu uma audiência pública sobre a redução da maioridade penal na Câmara Municipal, provocada pela Secretaria da Juventude de Garanhuns, e naturalmente aconteceu o choque de visões diferentes das pessoas envolvidas no tema. Acabou repercutindo mais o entrevero entre Selma Mello, assistente social, e Gil PM. Cada um representando um lado da corda. 

Como disse, formações diferentes, trabalhos diferentes e visões sobre a transformação do indivíduo também diferentes. 

O que não pode é o debate deixar o campo do argumento e partir para o lado pessoal, como fez o vereador Gil PM, ainda mais por ocupar uma função política pública. 

No texto publicado no facebook, assinado por Gil, ele atinge a história e o trabalho de Selma, como assistente social, artista e professora. Rapidamente muita gente se sentiu atingida por acreditar também neste mesmo tipo de atuação social. E ainda mais, muitas mulheres se sentiram também ofendidas pela forma como o vereador manifestou sua crítica à assistente social, com profunda falta de respeito.

Quanto ao debate, Tratam-se de visões antagônicas, e que somente com respeito à opinião do outro, chegaremos a uma sociedade melhor, com leis modernas. E estas não são feitas somente com restrição à liberdade, mas ampliando a inserção social. Até acho que podemos pensar na redução da idade penal quando se tratar de crimes hediondos, principalmente assassinatos e estupros. Os demais, é perigoso colocar os jovens infratores nas penitenciárias do país, quando a grande maioria é pega por roubos, furtos e drogas.

Gil quer os bandidos na cadeia, Selma quer reeducar. São símbolos dos lados que existem até no Congresso Nacional, quando se acalora o debate pela mudança da legislação penal. E lá, como aqui, a formação das pessoas envolvidas, também dita seus posicionamentos.

O que mostra que a questão não é pessoal.

Gil errou feio ao postar nas redes sociais, de forma tão agressiva, buscando denegrir e desmoralizar a atuação de Selma e de todos que acreditam e trabalham por este ideal. 

Assim, registro meu apoio a Selma Mello, afiançando seu trabalho, e aconselhando a reflexão do vereador Gil PM, quanto à forma de tratamento às pessoas que não comungam de suas convicções.

Poderia pensar numa retratação, reconhecendo um erro e buscando corrigi-lo. 

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