sábado, 5 de junho de 2010

Tá na Veja - O jogo só acaba quando termina

Não é de hoje que a Revista Veja faz oposição disfarçada (ou discarada) ao Presidente Lula. Esta semana  veio com um artigo em que faz referências ao futebol com analogia às eleições. Foi um recado direto, dizendo que Lula está interferindo diretamente, menosprezando a justiça eleitoral e ao final lembra que nem tudo está perdido para a oposição, pois avisa que o jogo só acaba quando termina, numa frase típica de quem sabe que está atrás do placar. A Veja precisa entender que o estádio está cheio e torcendo pelo time do presidente, e que se deve respeitar o adversário. Por outro lado, Lula também sabe que não vence sozinho. Sinto no texto que está abaixo, que a Revista buscou tirar o otimismo situacionista, mostrando que o jogo não está ganho e que até nos jogadores contratados ainda podem surgir. O texto é deliberadamente anti-Lula, coloca dúvidas em Dilma e provoca no leitor uma sensação de desconforto e uma subliminarmente busca mostrar que Serra seria mais confiável. Feito este prólogo crítico, vamos ao texto da revista:

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende se consagrar como o maior craque da história do Brasil. A promessa de Garanhuns estreou bem nos rachões do sindicalismo, brilhou no primeiro time do Partido dos Trabalhadores e foi vice três vezes – até que, em 2002, jogando no melhor estilo paz e amor, conseguiu mostrar a qualidade do seu futebol e se tornar presidente da República. De lá para cá, sua carreira vem subindo velozmente ao Olimpo onde pairam os mitos brasileiros. Apesar de ter sofrido uma breve má fase há cinco anos, quando flagraram metade do seu time no antidoping do mensalão, ele encontrou perseverança para ser bicampeão em 2006. Nos últimos tempos, embalado pelo relativo sucesso de programas sociais do governo e pelo bom momento da economia, Lula atingiu seu ápice: 80% dos brasileiros aprovam seu futebol. É no auge da era Lula, portanto, que se aproxima a copa da política brasileira: a eleição presidencial. Nela, como não pode concorrer, o presidente deveria atuar apenas como técnico da novata Dilma. Lula, porém, não tem nada de Dunga – e entrou em campo com tudo, dando diariamente chapéus na Justiça Eleitoral, carrinhos nos adversários e preciosos passes para a sua camisa 9.
 
Até o momento, o presidente, vá lá que sem muito fair play, está levando o time nas costas. Desde o fim do ano passado, quando Lula passou a jogar com afinco, Dilma vem crescendo lentamente nas pesquisas. A tal ponto que, nas últimas semanas, as sondagens mais confiáveis, como a do instituto Datafolha, indicaram um empate entre ela e o candidato tucano, José Serra. Ambos aparecem com 37% das intenções de voto – em dezembro, a petista aparecia com 26%, e o peessedebista flanava com 40%. Não há dúvida de que o crescimento da candidata petista se deve ao presidente, nem dúvida há de que ele será o dínamo político da campanha. A população gosta do presidente e está satisfeita com suas próprias condições de vida. Até março do ano passado, Dilma, apesar de ocupar o poderoso cargo de chefe da Casa Civil, era conhecida superficialmente por somente 53% dos brasileiros. À medida que foi sendo apresentada por Lula ao eleitorado, seja em discursos televisivos, seja em desavergonhados eventos eleitorais país afora, Dilma cresceu e apareceu, conquistando votos na mesma proporção em que se tornou conhecida. No jargão dos marqueteiros, isso se chama transferência de votos. Na linguagem do futebol, resume-se ao talento de Dilma para se posicionar na banheira e receber os passes de Lula. Somente no decorrer da campanha, contudo, será possível descobrir se a camisa 9 do PT sabe fazer gols, transformando intenções em votos.

É do resultado dessa incógnita que sairá o próximo presidente. As pesquisas e a sabedoria política sugerem o seguinte: se Dilma conseguir convencer os eleitores de que merece ser a sucessora de Lula (como tem conseguido até agora), ganhará a eleição; se falhar, a vitória provavelmente caberá a Serra. Aqui, porém, como bem sabe o presidente, vale o mais infame dos clichês futebolísticos: toda eleição é uma caixinha de surpresas. Para evitar um maracanazzo petista, Dilma segue com disciplina as orientações do professor – quer dizer, do presidente Lula e dos marqueteiros de sua campanha (veja o quadro). A estratégia petista depende do sucesso de três táticas: Lula convencer o eleitorado de que a vitória de Serra significaria um retrocesso para o país, Lula fazer muita campanha para Dilma e, finalmente, Dilma mostrar-se autêntica e confiável para os simpatizantes do lulismo. O último item é puramente subjetivo. Subordina-se aos múltiplos aspectos da personalidade da petista, ao modo como a índole dela se comunica com o eleitorado. Da busca dessa furtiva e intangível qualidade decorre, em larga medida, o trabalho dos marqueteiros.

"Não basta o Lula dizer que a Dilma é candidata dele. O eleitor tem de ouvir isso da Dilma, e sentir que confia nela", afirma o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília. Ou seja: o eleitor não elege postes. Na Colômbia, o presidente Álvaro Uribe deve fazer seu sucessor, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos. No Chile, entretanto, a presidente Michelle Bachelet, apesar de apresentar 80% de aprovação, não conseguiu que seu candidato lhe sucedesse – nesse caso, o candidato não era desconhecido como Dilma. A diferença entre os dois exemplos indica como o fenômeno da transferência não tem nada de cartesiano. O desafio de Dilma é paradoxal. Ela precisa ser conhecida como sucessora natural do presidente – mas deve fazer isso sem exageros, de modo a não esmaecer na sombra de Lula.

As recentes boas notícias para Dilma não espantam as preocupações dos coordenadores da campanha petista. Os principais temores deles concentram-se na possibilidade de ataques pessoais à candidata. O maior dos medos decorre da militância de Dilma durante a ditadura militar. Os petistas temem que a recorrente insinuação – sem fundamento, frise-se – de que a candidata pegou em armas possa causar danos desastrosos a ela. A preocupação resultou numa defesa preventiva, que foi ao ar no último programa televisivo do PT: a despropositada comparação de Dilma com o líder sul-africano Nelson Mandela, que ficou 27 anos preso por se opor ao regime segregacionista.

Nunca é demasiado o cuidado com esse tipo de pancada. As tão impalpáveis virtudes que os marqueteiros procuram ressaltar em Dilma podem dissolver-se com um ataque certeiro. Nas mais recentes eleições brasileiras, sobram exemplos de políticos destruídos por um deslize verbal ou um erro pregresso. Em 2002, dois candidatos ficaram pelo caminho. Roseana Sarney era favorita até a Polícia Federal descobrir um inexplicável montinho de dinheiro vivo nos escritórios da família. No auge da campanha, quando estava próximo de Lula nas pesquisas, Ciro Gomes chamou um eleitor de burro. Até mesmo a reeleição de Lula em 2006, que se mostrava tranquila, entrou em risco quando aloprados petistas em busca de dossiês foram presos com um inexplicável montão de dinheiro.

Dessa tormentosa saga de trapalhadas e baixarias que costumam acometer as campanhas no Brasil, extrai-se a lição da cautela. Como qualquer processo político, uma eleição se desloca como uma nuvem, na qual é difícil prever tempo ruim. Foram trovoadas desse tipo, aliás, que tiraram Dilma do banco de reservas – sucessores naturais de Lula, como José Dirceu e Antonio Palocci, queimaram-se em escândalos. O bom momento de Dilma se deve também à dificuldade de Serra e de Marina Silva, a candidata do Partido Verde, em encontrar um discurso que concilie a continuidade desejada pelo eleitorado com propostas que o seduzam. Ainda faltam quatro meses para as eleições. Lula, o Pelé da política, sabe que o jogo só acaba quando termina.

Conversa com o escritor no SESC

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Oposição responde a Prefeita Judith

Transcrevo uma nota publicada no Blog Bom Conselho Papacaça, em que três ex-prefeitos do município respondem a Nota Oficial da prefeita Judith Alapenha sobre a tão falada renúncia. A vice-prefeita Dida também desmentiu a prefeita, criando um novo constrangimento. Vamos à nota:

NOTA de ESCLARECIMENTO

Bom Conselho, 03 de junho de 2010

Em função das declarações da prefeita Judith Alapenha dadas à imprensa, na última terça-feira (01), através de nota oficial, onde acusa a “oposição da cidade” de ter “plantado” a notícia de sua renúncia, o grupo formado pelos ex-prefeitos Daniel Brasileiro, Audálio Ferreira e Gervásio Matos, vem a público para fazer os seguintes esclarecimentos:

1. O grupo que legitima e democraticamente exerce a atividade oposicionista na cidade de Bom Conselho – representado pelos ex-prefeitos Daniel Brasileiro, Audálio Ferreira e Gervásio Matos - nada tem a ver com a divulgação da renúncia da prefeita, que segundo inúmeras testemunhas ocorreu de fato, tendo a mesma voltado atrás, como foi corretamente noticiado pelos veículos de comunicação.

2. A bem da verdade é importante afirmar que tal informação foi divulgada por pessoas que acompanharam a reunião fechada que a prefeita realizou em sua residência para anunciar a renúncia e as providências que deveriam ser tomadas.

3. Em entrevista à Rádio Papacaça, na quarta-feira (02), a vice-prefeita Dida Tenório não apenas confirmou a versão da renúncia como deu inúmeros detalhes da conversa que culminou com o pedido de renúncia que seria enviado à Câmara dos Vereadores e outras providências.

4. É fato que a renúncia só foi “revertida” após a interferência de pessoas estreitamente ligadas à prefeita que a demoveram da idéia da renúncia e apresentar à sociedade uma versão fantasiosa de que tudo havia sido apenas um “mal-entendido”.

5. O grupo oposicionista aqui identificado exerce as suas funções de fiscalizadores do Poder Público Municipal dentro dos mais rigorosos padrões ÉTICOS, não admitindo qualquer insinuação que contradiga estes princípios.

6. Finalmente queremos declarar que compreendemos o momento difícil atravessado pela senhora prefeita em relação à administração da cidade e aos seus problemas de saúde. Mas ressaltamos que no campo político-administrativo a caótica situação em que se encontra a cidade de Bom Conselho se deve EXCLUSIVAMENTE ao tipo equivocado de gestão que a mesma adotou para o seu governo.

7. Dentro das tradições do povo de Bom Conselho apelamos ainda para que a prefeita governe o município com a verdade e a determinação que historicamente caracterizam o Povo Papacaça, e não confundindo a população com ações vacilantes que em nada ajudam a cidade a sair da vexatória situação de abandono e caos administrativo.

Ex-Prefeitos:

DANIEL BRASILEIRO
AUDÁLIO FERREIRA
GERVÁSIO MATOS
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Agora comigo: Judith Alapenha tem a oportunidade de começar de novo, já que praticamente saiu e voltou. Deve entender que precisa fazer mudanças na equipe e concessões para administrar o município por mais dois anos e meio, é tempo bastante para reverter uma situação contrária administrativamente. E aqueles que são verdadeiramente do seu grupo devem deixá-la à vontade para tais mudanças, pois só assim haverá uma resposta positiva diante do quadro agora instalado.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Trânsito em Garanhuns pode mudar

Na última semana, a Autarquia Municipal de Transporte e Trânsito (AMTT), promoveu reunião com membros da Federação dos Transportes Complementares e Suplementares do Estado de Pernambuco (Fetranscosepe), bem como com representantes de Associações de Transportes Alternativos das cidades circunvizinhas, com o objetivo de traçar planos para a mudança nos terminais de transporte alternativo de Garanhuns.

O intuito é desafogar o trânsito, disciplinar o transporte alternativo, fiscalizar o transporte clandestino, facilitar e melhor organizar o transporte público no Município. De acordo com o presidente da AMTT, Tony Oliveira, o aumento do fluxo de veículos na cidade vem causando desordem no trânsito e reclamações por parte dos motoristas de transportes alternativos, principalmente quanto a clandestinidade. Para solucionar esses problemas, a Autarquia de Trânsito vai fazer três micro-terminais de passageiros, que serão implantados gradativamente no Município. “O primeiro terminal será implantado na praça Mosteiro de São Bento, e receberá todos os passageiros da região leste, que vai do município de São João a Caruaru. O segundo será instalado na rua Capitão Tomáz Maia, no Centro; e o terceiro terminal será implantado na praça Aluízio Pinto, abaixo do Parque Ruber Van Der Linden, o popular Pau Pombo”, adianta Tony Oliveira.

A metodologia adotada no cadastro dos motoristas, bem como as informações oferecidas aos passageiros, também foram pauta da reunião, em que foi definida a concessão de licença de circulação somente aos 460 motoristas já cadastrados na AMTT, e que atendem as exigências de documentação e condições de trafegabilidade. “Nós estamos realizando desde o dia 1º de junho, na sede da AMTT, o recadastramento desses profissionais, que será feito por cidade”, explica o presidente da Autarquia de Trânsito.

“Com a conclusão desta etapa, será realizada uma nova reunião com todos os profissionais da classe, bem como as associações ligadas, para discutirmos as estratégias de informação que serão repassadas aos usuários, ou seja, os passageiros. Todo esse processo levará em torno de dois meses para ser finalizado. E assim, o trânsito no Centro da Cidade ficará desafogado”, destaca o presidente da AMTT, Tony Oliveira.

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