quinta-feira, 16 de abril de 2020

A Prefeitura de Garanhuns está realmente sem recursos?

UPA24h, que deveria estar funcionando há uns quatro anos, vai oferecer leitos para pacientes com Covid-19


Havia um discurso que a atual gestão tinha não sei quantos milhões em caixa. Depois era que Garanhuns nunca tinha arrecadado tanto, que em um ano equivalia aos quatro anos do governo anterior. Tudo dito pelo próprio prefeito. E eu acredito que era verdade.

De repente, o município está quebrado, o prefeito tem sido recorrente neste discurso que Garanhuns não tem dinheiro para isto e aquilo, cortando gratificações e deixando de investir na saúde como se espera neste momento, mesmo chegando verba extra de pré-sal, IPVA e Covid. Somadas, só estas verbas devem passar de R$ 12 milhões.

Mas de forma repentina, a prefeitura não tem mais recursos. E somam-se obras paradas.

Ou errou na gestão, elevando os gastos a patamares astronômicos, ou nunca teve o mar de rosas que se propagava. E errou ao não priorizar a saúde pública, que agora precisa de recursos e a prefeitura afirma que não tem.

Provavelmente faltou gestão dos recursos com licitações e gastos desnecessários.

Depois de tantas cobranças nas redes sociais e meios de comunicação, soubemos que começaram a mexer no prédio da UPA24h, há anos parado, que enfim vai ser usado, provavelmente para oferecer leitos a pacientes de Covid-19. Tomara que continue funcionando após passar este caos.

Garanhuns vê agora outros municípios investindo emergencialmente na saúde e aqui o prefeito diz que não há muito que possa fazer. De certo, Garanhuns sente a falta da UPA24h funcionando regularmente e de um Hospital Municipal para atender a população.

Mandetta rejeita demissão de secretário e sinaliza que está de saída do governo




Em tom de despedida, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) reconheceu, em entrevista coletiva, que há um descompasso entre o trabalho de sua equipe e a linha de ação do presidente Jair Bolsonaro e comentou abertamente a possibilidade de deixar o cargo. “O importante é que a pessoa que o presidente colocar no ministério tenha condições de trabalhar baseado na ciência, nos números e na transparência”, declarou.

Contexto: a declaração ocorreu após o ministro recusar o pedido de demissão do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira. Considerado o principal estrategista da pasta contra o novo coronavírus, Wanderson participou da entrevista e permanecerá no posto. “Vamos trabalhar juntos até o momento de sairmos juntos”, afirmou Mandetta.

Bastidores: mais cedo, o ministro sinalizou sua saída e se despediu de deputados da frente parlamentar da saúde. Mandetta indicou apoio a um eventual sucessor: “Tenho certeza de que outros virão fazer melhor”. Ontem, ele já havia avisado a assessores que sua demissão está próxima.

O que está acontecendo: a possível demissão de Mandetta é motivo de queda de braço entre aliados de Bolsonaro pela indicação do sucessor. O presidente deseja um nome técnico e com respaldo na classe médica, para minimizar a demissão de Mandetta. A falta de consenso estaria postergando a decisão.



Números atualizados do Coronavirus por estado no Brasil


quarta-feira, 15 de abril de 2020

Garanhuns precisa de um Hospital Municipal urgente. Fechar o anterior foi um erro. E a UPA24h?









A V Regional de Saúde tem 21 municípios em sua abrangência, apenas dois deles não têm hospital municipal: Jucati e Garanhuns. O primeiro talvez se explique pela falta de demanda, de tão pequeno, o outro é falta de interesse mesmo, por mais que o prefeito diga que a prefeitura não tem recursos para prover um hospital municipal. Como então conseguem Jupi, Caetés, Angelim, Canhotinho, Terezinha,..., e mais de uma dezena de municípios, todos eles menores que Garanhuns? Alguns municípios têm hospital de fazer inveja, com bloco cirúrgico funcionando, escala de médicos fechadinha, equipes motivadas, farmácia, etc.

O prefeito pode dizer que aqui na cidade polo regional vai gastar mais com hospital, mas é lógico que também recebe bem mais, como aponta qualquer planilha de liberação de recursos federais que se tenha acesso. Portanto, não ter hospital municipal não é questão de dinheiro, mas de interesse e prioridade.

Por anos a fio, o Hospital Regional Dom Moura esteve aí para absorver a demanda municipal. Mas isto é certo? Errado. O Hospital Regional é regional, ou seja, é para atender a região (desculpem a redundância) em casos de média e alta complexidade, dentro de suas atribuições. A baixa complexidade, ou seja, os atendimentos de urgência básicos devem ser atendidos pelo município, e não em PSFs, mas em um hospital. O Hospital Infantil tem assimilado parte da responsabilidade da prefeitura, mas é eletivo e ambulatório. Não tem emergência. Não tem servidor público. É prático para o município pagar a tantos serviços particulares terceirizados, mas ele mesmo deixa de oferecer o serviço essencial. Provavelmente, se somar o que tem gasto com terceirizados, bancasse com sobras seu hospital público.

Assim que o atual prefeito tomou posse cuidou logo de fechar o Hospital Municipal herdado do ex-prefeito Luis Carlos, instalado na antiga Casa de Saúde Santa Terezinha. O prefeito chamou de casa de parto, e disse que não valia o investimento. Fechou. Não procurou readequar, investir, melhorar... Não, simplesmente fechou. Poucos questionaram. Como se fecha um hospital? Passou os anos credenciando instituições particulares e nunca ofereceu um leito sequer em sua gestão. Ou seja, tirando os PSFs para ambulatório, o Hospital Dom Moura continua sendo a porta de entrada para qualquer emergência em Garanhuns. E pior, por vezes criticado por aqueles que deveriam cumprir sua função. 

Cedo ou tarde a conta chegaria para a população, principalmente a mais carente, e a hora parece ser agora. Nesta pandemia, o município de Garanhuns não tem um leito sequer para nenhum paciente, ficou totalmente à mercê do estado e da rede particular. Quando a gente diz nenhum, é nenhum mesmo. E nem vemos movimento no sentido de resolver esta questão. 

Além do fechamento do hospital, tem a questão do prédio da UPA24H, na entrada da Cohab II, que como fica meio escondida, ninguém fala, e por vezes nem lembra, mas já era para ter sido inaugurada há uns quatro ou cinco anos. Era para ser uma UPA24H, não foi, poderia virar uma Policlínica, não virou. Resultado, o prédio está lá abandonado, inacabado e se deteriorando. Faltam recursos ou falta vontade de resolver? Estão fotos aí acima para mostrar como se encontra.

A sociedade calada não reclama, não cobra, não provoca. E a população mais carente, que geralmente busca estes serviços públicos, paga caro com a própria saúde.

Garanhuns precisa do seu Hospital Municipal urgente, se der para ser no prédio da UPA24H, que seja, ou que se projete, planeje, priorize e construa. É para isto uma gestão, elencar prioridades e investir. A população vai descobrir da pior forma a falta de um Hospital Municipal.

E antes de terminar, falo também daquele hospital prometido por Eduardo Campos, lembram? Pois é, ele estava deixando o governo para se candidatar a presidente, e dali pra cá os recursos federais para construção minguaram. Paulo Câmara preferiu segurar as contas do estado que iniciar uma construção e deixar pela metade. E se tivesse feito, o HRDM iria para o município, mas o prefeito disse que não tinha interesse, assim, ficamos com o Dom Moura mesmo, bancado pelo estado, que cumpre a função de estado e município de Garanhuns, que representa quase 80% dos pacientes atendidos em suas emergências adulto, pediátrica e odontológica, em sua maternidade e pediatria, em seu bloco, CTI e UTI, enfermarias.. E o estado ainda banca a UPAE, que atende mensalmente milhares de pessoas dos 21 municípios da regional.

Está na hora de Garanhuns voltar a ter seu hospital. Tomara que o prefeito reconsidere sua visão, mesmo em final de mandato. Ou que aqueles que possam ocupar sua cadeira no futuro priorizem a saúde e a educação.

Garanhuns está recebendo mais de R$ 1 milhão para investir no combate à pandemia, dá para dar uma geral no prédio da UPA24h, equipar com o básico, e depois vai estruturando, para não fechar mais. Pode virar UPA24h, UPA DIA, Policlínica, hospital, ... Mas alguma coisa precisa ser feita. Passou da hora.

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