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domingo, 23 de maio de 2010

O sucesso da Ação Global em Garanhuns

Incrível! Os comentários das pessoas eram sempre falando da estrutura fantástica montada para atender a população na Ação Global SESI/Rede Globo que aconteceu no sábado em Garanhuns. Realmente impressionante. Recebemos informações da assessoria do deputado Izaías Régis, que esteve ao lado do prefeito Luiz Carlos recepcionando Armando Monteiro e o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco, Jorge Corte Real, conferindo "in loco" os serviços oferecidos. Mais de 12 mil pessoas foram beneficiadas em um dos mais importantes projetos sociais feitos em Pernambuco. O Ação Global – realizado pelo SESI/PE em parceria com a Rede Globo – fez cerca de 36 mil atendimentos gratuitos nas áreas de saúde, lazer, educação e cidadania, na Esplanada Guadalajara.

Entre os serviços de saúde oferecidos gratuitamente, consultas médicas nas áreas de clínica médica, pediatria, ginecologia, exames de prevenção do câncer ginecológico, testes para detecção das hepatites B e C, exames de glicose e colesterol. Também foram emitidos documentos como carteira profissional e de identidade, registro de nascimento, além da realização de audiências de conciliação dos Juizados Especiais.

Para a realização do projeto foi fundamental o trabalho dos mais de mil voluntários da entidade e de empresas industriais parceiras, engajados na realização na realização de 80 diferentes serviços. O evento é realizado simultaneamente em 31 localidades do País e tem como meta atender, este ano, um milhão de pessoas, 9% a mais que em 2009.
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Agora comigo: Comenta-se que Jorge Corte Real possa ser o candidato a federal com o apoio do prefeito. Caso seja confirmado, essa Ação Global em que estiveram juntos, pode ter sido o primeiro momento de mostrar o candidato à população. Izaías aproveitou bem o evento ao lado de Armando Monteiro.
Foi de fato um dia de serviço voluntariado, com viés político. Jorge Corte Real é um desconhecido da população, mas tem a força das indústrias, e que sabendo usar, pode ajudar o desenvolvimento de Garanhuns se conseguir atrair algumas dessas que estão sendo inauguradas em vários municípios do estado.
Em várias enquetes e foruns já foi mostrado como a população quer ver nosso parque industrial revigorado!
Quanto a Izaías não há outra alternativa para mudar o foco das notícias que tem sido, somente trabalhar e mostrar suas ações. Ficar discutindo por blog ou rádio não vai ajudar sua campanha. É arregaçar as mangas e trabalhar mesmo!

Bleffe - Música em troca de fraldas

Recebi um comentário oriundo de um "Bleffe", no post sobre a música da Tropicana (aliás, tivemos 21 downloads neste domingo!) que disse o seguinte:
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Participe da campanha "Música em troca de Fraldas", que visa ajudar às crianças desabrigadas pelas chuvas no RJ:
Música em troca de Fraldas -
Bleffe.
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De imediato achei que era irônico quanto ao trabalho, mas não entendi. Fui então no novo "Pai dos Burros" da era moderna, a internet. (Mais um aliás, nunca entendi porque chamam "Pai dos Burros" se somente as pessoas inteligentes querem aprender mais pesquisando novos vocábulos!)
Achei então o Bleffe. Uma banda do Rio de Janeiro. No site da Trama, uma das mais importantes gravadoras Pop/MPB brasileiras, vi lá a informação sobre o grupo:
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A banda surgiu no ano de 2002 no Rio de Janeiro. Mas foi em 2006 que o BLEFFE deu o seu primeiro salto na carreira com a gravação do álbum independente intitulado "Viagens" onde a banda pôde mostrar com qualidade o resultado do seu trabalho até então.

O álbum obteve ótima aceitação do público e da crítica, o que levou a banda a um notável crescimento no cenário independente carioca. Por conta disso, a banda criou o evento "Bleffe Convida" que dá oportunidade a outras bandas de se apresentarem e mostrarem seu trabalho. Até o momento foram sete edições do evento com apresentações de mais de 35 bandas diferentes, incluindo bandas de fora do estado.

No palco, Christian Garcia (vocais - violão), Alex Borges (guitarra - vocais), Cristiano Cokada (bateria - vocais) e Dan Lucasta (baixo) executam as músicas autorais juntamente com releituras feitas pela própria banda de grandes sucessos do pop-rock e da Mpb, o que torna o BLEFFE apto a se apresentar em diferentes tipos de evento, obtendo sempre um bom resultado junto ao público.
 
Para saber mais sobre o BLEFFE acesse: http://www.bleffe.com.br/
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Agora comigo: Bem, é o seguinte, a galera da banda abraçou a causa das crianças e estão usando a arte para oferecer esta doação. Eles colocam a música para download gratuitamente no site da Trama, mas recebem cada vez que a música é baixada. O que transformam em fraldas. Portanto, não foi o Bleffe que eu pensava (ainda bem!), e mesmo não sabendo como chegaram aqui, descobriram nosso blog e fizeram o comentário. Roberto Almeida sempre demonstra a alegria de receber um comentário de pessoas que estão distantes e acompanham seu blog. É de fato muito importante para nós. Essa troca é a interatividade que precisamos. Saber que tem alguém do outro lado que participa, tem suas próprias opiniões. Quando escrevemos sobre política chovem comentários. Seria bom também que as pessoas pudessem comentar também, o blog pode aproveitar qualidades do jornal escrito e do rádio. No jornal o texto está ali, na sua frente, para ser lido a qualquer momento. No rádio existe a notícia imediata mas pode haver a participação do ouvinte, interagindo. No blog o texto também está escrito, mas todas as pessoas podem responder a ele. Concordar ou discordar.
Artigos como os de Jeová ou as entrevistas de Cláudio, embora nós tenhamos tido muito boa aceitação por parte dos leitores do blog, que citam as entrevistas e as opiniões, merecem ter maiores números de comentários. Eu mesmo entendo cada comentário como parte do blog também. Uma recompensa para quem solitariamente assume um prazer de escrever para vocês.

Os candidatos e seus twitters

Venho dizendo que o twitter tem mudado a forma de comunicação de artistas, políticos, jornalistas e até empresas com seus clientes e seguidores. A divulgação é instantânea e direta. Você diz o que quer e pronto. É por isso que já tem marketeiros especialistas em twitter. Assim foi feito nos Estados Unidos e segue por aqui. Muitos twitters são escritos pela própria pessoa, outros já tem trabalho de jornalistas especializados em mídia eletrônica. Vou colocar para vocês os twitters dos précandidatos a Presidência da República, ao menos alguns que consegui na net. É bom estar sabendo o que eles andam dizendo e fazendo, mesmo que seja uma simples dica de um livro, ou suas agendas políticas.
 @dilmabr
@joseserra_
@silva_marina
@eymael
@pliniodearruda
@levyfidelix
@zemaria_pstu  
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Ahhh. Aproveitem e sigam este blogger! @ronaldovox
Aliás, já tem muitos amigos de longe, que usam o twitter pra saber das coisas de nossa cidade, e gente daqui de Garanhuns, feito o @joserobertoal
Quando acessarem o meu twitter, descobrirão os endereços de muita gente boa, gente de todas as profissões!

Baixe a música da Tropicana

Estamos disponibilizando a faixa do CD da Tropicana em que homenageamos o poeta Petrúcio Amorim, num medley com grandes sucessos.
Petrúcio Amorim é um dos menestréis que tem segurado a bandeira da qualidade em nossa música, resgatando as coisas a terra. E quando fala de paixão vem com poesia, dizer o que a gente sente. Nomes como o seu devem ser defendidos e apreciados, como de tantos outros de nossa região que fazem perpetuar a essência de ser nordestino.
Cliquem no link abaixo e depois em "download" para baixar nossa música. A produção musical é do Roberto Lima.
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Garanhuns conquista copa da TV Asa branca

A Seleção Masculina de Voleibol de Garanhuns conquistou o título da Copa TV Asa Branca de Voleibol, neste sábado, dia 21, após vencer a forte equipe de São Bento do Una por dois sets a zero. A partida foi realizada no Ginásio do SESC Caruaru.

Já na decisão do feminino, São Bento do Una levou a melhor e derrotou a Seleção de Garanhuns, de virada, por dois sets a um. As garanhuenses ficaram com o vice-campeonato da competição que reuniu 11 seleções de diversas Cidades Agrestinas.

Ambos aos selecionados contaram com o apoio da Prefeitura de Garanhuns, através da Secretaria de Educação e Esportes, que investiu nas inscrições, transporte e toda a logística para que os campeões de Garanhuns pudessem se destacar nos Ginásios Caruaruenses. A expectativa é que o Prefeito Luiz Carlos possa receber oficialmente os atletas ainda nesta semana, que, inclusive, poderão vir a desfilar em carro aberto do Corpo de Bombeiros pelas principais ruas de Garanhuns.

Contatos: Josmar Brandão – Diretoria de Esportes - (87) 3762-7064

Comentários sobre o julgamento da ADPF 153 - Parte Final - Por Jeová Barros Jr.


Volto, mais uma vez, e pela última, a escrever sobre o período do governo militar, os crimes perpetrados durante esse período (por civis e militares) e a Lei da Anistia, considerada por alguns como sendo a lei da conciliação.

Na segunda metade da década de 70, a ditadura começou a sofrer forte pressão, tanto interna quanto externa, para que ocorresse a chamada distenção; terminado o governo de Ernesto Geisel, João Figueiredo assumiu a presidência em 1979 e tomou a iniciativa de propor a Lei da Anistia (Lei 6683/79), a qual foi aprovada e sancionada, perdoando os crimes cometidos, devolvendo os direitos políticos daqueles que tinham sido cassados, reintegrando cargos públicos, etc.

No mês passado, o STF julgou a ADPF 153, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e pela Associação Juízes Para a Democracia, tendo por finalidade aferir a compatibilidade da Lei da Anistia com a Constituição Federal de 1988; mas a filigrana maior que se objetivava era questionar se a expressão “crimes políticos e conexos” incluía os chamados crimes comuns. Os ministros do supremo decidiram, por sete votos a dois, que a Lei da Anistia era válida e que, portanto, continua vigente no nosso ordenamento.
 
ALGUNS CONCEITOS

Leis de anistia, originalmente, visam a perdoar os chamados crimes políticos, quando ocorrem as chamadas revoluções ou momentos de perturbação social; são, portanto, crimes cometidos durante períodos de exceção, ocorrem nos chamados estados de sítio ou de defesa; por meio delas, os governantes perdoam os revoltosos que cometeram delitos contra a ordem política e social, ou contra o Estado.

Já os chamados crimes comuns são aqueles que, como o próprio o nome indica, não apresentam nenhuma peculiaridade especial; crimes que, comumente, são cometidos na sociedade, não se levando em conta a existência, ou não, de estados de exceção (estados de sítio e de defesa); é o furto, o homicídio, o estupro, etc.

Na verdade, porém, os crimes comuns podem ocorrer em períodos de normalidade como podem ocorrer em períodos de exceção; da mesma forma, um crime político pode ser cometido fora de um período de exceção, embora, em regra, ocorram naqueles momentos de agitação.

Pois bem, o que a ADPF pretendia era saber, justamente, se os chamados crimes comuns, que foram cometidos por civis e militares, no período da ditadura (que é um regime de exceção), estavam incluídos naquela expressão “crimes políticos e conexos”, pois, em caso negativo, ou seja, caso não tivessem sido perdoados os crimes comuns cometidos, na e pela ditadura, aqueles que haviam matado, roubado, seqüestrado, torturado, etc., poderiam, enfim, ser processados e condenados, uma vez que a Lei da Anistia não os teria perdoado.
 
POSIÇÃO DO STF

O Supremo Tribunal Federal entendeu que a Lei da Anistia havia, sim, perdoado os crimes comuns, extinguindo a punibilidade deles, e que, portanto, não mais se poderia aventar a penalização de tais crimes que ocorreram durante a ditadura.

Os principais argumentos do STF foram que, primeiramente, a Lei da Anistia tinha sido o produto de um acordo estabelecido entre o governo militar e a oposição ao regime e, dessa forma, não se poderia, passados trinta anos, ter tal acordo por inválido. Numa palavra que pode ser mais bem entendida, foi uma espécie de contrato, que foi assinado pelas duas partes e que, portanto, deve ser cumprido.

Outro argumento utilizado, nas fundamentações dos ministros, é que, mesmo que a Lei da Anistia não tivesse perdoado os crimes comuns, tais crimes teriam sido alcançados pela prescrição e, sendo assim, o estado brasileiro não mais poderia punir os assassinos, torturadores, estupradores.

A prescrição, para aqueles que não estão acostumados com expressões do Direito, é um instituto jurídico que, em síntese, determina que aquele que tem um direito, uma pretensão, deve buscar a satisfação desse direito, dessa pretensão, dentro de um determinado tempo.

Por exemplo: se eu tenho uma dívida com meu caro companheiro Ronaldo César, ele vai ter cinco anos para me cobrar; passados esses cinco anos, a dívida continuará existindo, mas ele não mais poderá acionar a justiça para me forçar a pagá-lo.

Ou seja, de acordo com a lei brasileira, o estado não mais pode processar e julgar os crimes cometidos durante a ditadura porque já se passaram mais de vinte anos, que é período máximo de prescrição previsto pelo Código Penal.
 
DAS MENTIRAS CONTADAS E DAS VERDADES OMITIDAS

Chegou, finalmente, a hora de expor a minha posição. Usando uma expressão bem conhecida nos tribunais, data vênia, ou seja, com a devida licença, não concordo com o julgamento do STF, pelas premissas utilizadas e pelas conseqüências que dele podem advir.

Primeiramente, quero atacar as premissas utilizadas e, depois, mostrar as consequências que esse julgamento traz e o que sinaliza, isto é, qual é a mensagem que é enviada para a sociedade.

Como afirmei, logo no início, leis de anistia tem por finalidade perdoar crimes políticos e crimes políticos são aqueles cometidos contra o Estado; dessa forma, leis de anistia, no mundo todo, não perdoam crimes comuns, ou seja, não perdoam estupro, tortura, assalto, seqüestro, etc.

Outra característica do crime político é que ele tem como vítima o Estado; já no crime comum, a vítima é uma pessoa, um cidadão. Sendo assim, por exemplo, um crime de dano, o qual consiste na destruição de um bem (um carro, um prédio), cometido contra uma repartição pública, num momento de agitação, pode ser perdoado.

Coisa bem diversa é um crime que atinge uma pessoa, como uma lesão corporal, um seqüestro, um homicídio; esses, jamais, podem ser perdoados pelo Estado, por não serem, justamente, crimes políticos; não podem ser perdoados, até mesmo, porque quem tem que perdoar é a vítima e, nesse caso, a vítima não é o Estado, mas sim um cidadão.

Mais uma característica das leis de anistia, mas essa de ordem bem técnica, é que as pessoas que recebem o perdão são aquelas que foram processadas, julgadas e condenadas. Ocorre que a nossa lei de anistia veio perdoar quem não foi processado, não foi julgado e não foi condenado.

Aliás, grande parte dos que foram julgados não poderia ter sido perdoada, pela lei da anistia, porque, ao tempo em que ela foi sancionada, já estavam “desaparecidos”, ou seja, tinham sido executados, sumariamente, sem direito de defesa, sem um processo justo, pelos agentes da ditadura. Esse foi o julgamento que a ditadura deu aos seus opositores: tortura, desaparecimento e morte, nas recâmaras daquele poder covarde, que até hoje se esconde e não assume os malsinados atos que perpetraram.

Mas isso não é tudo! Hoje, os defensores do regime militar e da Lei da Anistia advogam que ela foi fruto de um acordo, o que é uma mentira deslavada, uma vez que ela foi imposta. Não houve negociação entre o governo e a oposição! Simplesmente, o projeto de lei foi elaborado pelo governo e empurrado goela abaixo do Congresso Nacional.

É preciso se lembrar que os assaltantes do poder de 1964, os militares, detinham, no Congresso Nacional, a maioria, mas tal maioria sequer tinha sido conquistada nas urnas; foi, por exemplo, através dos denominados “senadores biônicos” que a ARENA (partido do governo) possuía maioria no senado.

Os senadores biônicos, para os que não lembram, detinham esse nome porque eram nomeados pelo governo, não sendo, portanto, eleitos; eram, como o próprio nome diz, biônicos, ou seja, robôres, sem autonomia, sem vontade e querer próprios. Alguém pode, em sã consciência, acreditar que, numa ditadura, alguma coisa é negociada?!

Eis a mentira contada: a tal reconciliação, o tal acordo; como se fosse possível um acordo, uma justa negociação, entre o assaltante e o assaltado; o assaltante põe o revólver na mesa e diz: “te dou cem reais pelo carro”; o assaltado vai oferecer resistência?! Calo-me!

Quero trazer, agora, algumas citações, como a do Senador Pedro Simon, pelo Rio Grande do Sul, até hoje uma referência na política nacional, como um dos poucos baluartes da ética e da seriedade, no nosso parlamento; vejam o que ele vociferou, à época da discussão da Lei da Anistia:

“Na verdade, este Poder (legislativo), nesta noite, deu uma demonstração de humilhação perante a Nação; não se afirmou no sentido de mostrar que tinha condições de aperfeiçoar o projeto, desde o momento em que o partido oficial (a ARENA) não teve nem o direito de permitir algumas emendas; os homens do Governo poderem aperfeiçoar para dizer que têm uma autonomia relativa, numa democracia relativa (sic!). Pelo contrário, toda a Nação sabe, e a Imprensa noticiou que o Relator, que os líderes da ARENA, no Gabinete do Ministro da Justiça, estudaram emenda por emenda e decidiram lá o que seria votado aqui. E decidiram lá, Sr. Presidente, lá no Poder Executivo, o que podia ser votado aqui.

Não tiveram nem um mínimo gesto de grandeza com esse partido oficial (ARENA) para apenas dizer que a emenda “A”, a emenda “B”, a emenda “D”, a emenda “E”, a emenda “F”, vocês vão aprovar. No sentido de que, pelo menos, tivessem um mínimo de condições para se dizer que algo este Congresso fez para aprimorar o projeto” [grifos nosso]
 
Para mostrar que outras mentiras hoje são contadas, com o único intuito de manter a impunidade, vamos dar a voz a atores do próprio governo militar, ao tempo da discussão da anistia, em 1979. O Senador Ernani Satyro (ARENA), relator do projeto de lei, em determinado momento, ao se posicionar sobre as emendas sugeridas pela oposição, mas que nenhuma foi adotada, a atestar, mais uma vez, que não houve acordo, assinalou que

“pelas razões já expostas em relação a outras emendas, o governo e o seu partido não concordam em anistiar pessoas condenadas por crimes contra a humanidade”

Ainda podemos, contudo, relatar o que o próprio presidente João Figueiredo defendeu, ao tempo da discussão da anistia; segundo a jornalista Glenda Mezzaroba, em sua tese de mestrado, publicada pela FAPESP (Um acerto de contas com o futuro. A anistia e suas consequências: um estudo do caso brasileiro):

“No texto, Figueiredo sugeria que o projeto de lei que enviava ao Congresso tinha maior amplitude do que os apresentados anteriormente, a título de sugestão ou como proposta de emenda constitucional, e lembrava que não teriam direito à anistia os condenados pela Justiça por crimes que não eram estritamente políticos – na visão do governo, era esse o caso dos classificados como terroristas, cuja ação, para os militares, não se dera contra o regime ou contra o Estado, mas contra a humanidade” [grifos nosso]
 
Vê-se que crimes políticos são os crimes cometidos contra o Estado, como o próprio ex-presidente Figueiredo dizia ao tempo; vê-se, também, que crimes contra a humanidade (tortura, estupro, seqüestro) não são crimes políticos, mas, como o próprio nome diz, crimes contra a humanidade.

O perturbador dessas alegações, tanto do ex-presidente quanto do relator, é que, na mentalidade doentia deles, há diferença entre os estupros e assassinatos cometidos pelos agentes da ditadura e os seqüestros e homicídios cometidos por terroristas. Crime é crime, independentemente de quem o cometa e, portanto, deve ser punido, tenha sido ele cometido por paixões mesquinhas ou pelas chamadas “razões de estado”.

Por fim, quero atacar o último argumento dos bastiões da Lei da Anistia, qual seja, a de que os crimes já estão prescritos. De fato, devo reconhecer que quem matou, quem seqüestrou, quem estuprou ou torturou, na década de 70, não pode ser punido, de acordo com a legislação vigente à época, pelos crimes que foram cometidos, uma vez que já se passaram mais de vinte anos.

Mas, se aplicássemos a legislação internacional e os tratados de direitos humanos dos quais somos signatários e que, uma vez ratificados pelo congresso, se tornam legislação nacional, tais crimes seriam contra a humanidade e, portanto, imprescritíveis, o que significa dizer que eles podem ser punidos em qualquer momento!

Além dessa imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade, há, ainda, mais um detalhe a ser mencionado, que diz respeito aos desaparecimentos forçados e da ocultação de cadáveres. Tais crimes são crimes permanentes, ou seja, são aqueles crimes que foram cometidos, no tempo da conduta ilícita, e que continuam sendo cometidos no presente, porque o comportamento criminoso não cessou.

Isso quer dizer que, em relação a esses crimes, a prescrição sequer começou ser contada! É o que ocorre com o seqüestro. Suponhamos que eu cometi um seqüestro há dez anos e que ainda mantenho o refém em cativeiro; o comportamento criminoso se protrai, ou seja, se prolonga durante o tempo, e eu ainda estarei cometendo o crime ainda hoje.

Dessa forma, os militares têm, sim, que responder por esses crimes, pois, para eles, não começou, sequer, a correr a prescrição. Eis mais uma verdade não contada!
 
Significado da Anistia.

Para concluir e mostrar o quanto é absurdo esse raciocínio de anistia, vamos ver o que ela significa, em sua etimologia.

Anistia vem do grego e tem o sentido de perdão. Eu magôo alguém e esse alguém me perdoa. O que o governo militar concedeu, através da anistia, foi o perdão, para ele mesmo, das atrocidades que ele cometeu, através de seus agentes, contra o povo brasileiro. É como se eu desse uma bofetada no meu amigo Ronaldo César e dissesse: “Ronaldo, eu me perdôo” e, assim, tudo ficaria esquecido.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos, denomina tais leis de anistia como leis de “auto-anistia”, o que é mais propício e verdadeiro, pois são leis de “auto-perdão”; por isso mesmo é que a Corte tem julgado inválidas tais leis e determinado a anulação delas, como ocorreu no Peru e na Argentina. Além de inválidas, são imorais!

José Saramago, escritor português e prêmio nobel da Paz, na semana passada, escreveu em seu blog a respeito da anistia espanhola aos crimes cometidos durante a ditadura de Franco, e assim se posicionou:

“Invoca-se aqui a Lei da Amnistia para justificar a perseguição a Baltasar Garzón, mas, em minha opinião de cidadão comum, a Lei da Amnistia foi uma maneira hipócrita de tentar virar a página, equiparando as vítimas aos seus verdugos, em nome de um igualmente hipócrita perdão geral” (Saramago)
 
Concluindo, quero tecer considerações sobre a mensagem que é enviada para a sociedade e para as autoridades, através desse julgamento do STF. A mensagem enviada é a de impunidade dos poderosos e, pior, a de que, em determinadas circunstâncias, a tortura se justifica, o homicídio também; que, em nome da famigerada “razão de estado”, qualquer governante pode matar, usurpar e destruir, como os USA fizeram, ao invadir o Iraque.

São essas “razões de estado” que legitimam guerras e outros quejandos; razões que nada mais são do mentiras levantadas para justificar crimes... Onde estão as armas químicas de Saddam Hussein, que justificaram, ou tentaram justificar, a invasão do Iraque?

O primeiro genocídio cometido, no século passado, com a característica deliberada de se eliminar um determinado povo, foi cometido contra os Armênios, em 1915. Conta se que Hitler, na segunda guerra mundial, quando estava a massacrar judeus, ciganos e homossexuais, teria dito, às vésperas da entrada na Polônia: “Afinal, quem fala hoje do extermínio dos Armênios?”.

As verdades precisam ser contadas e as mentiras desmascaradas, para que os erros do passado não possam ser cometidos no presente. A bíblia diz que “conhecereis a verdade e ela vos libertará”. Para que sejamos, todos, livres, e não fiquemos presos a mentiras, é que precisamos saber como as coisas foram e como elas são.

Forte abraço a todos e um bom domingo!

Ps: quero fazer duas coisas: deixar meu e-mail para aqueles que, porventura, desejem trocar idéias e sugerir fontes para um melhor conhecimento das questões analisadas aqui.

Primeiramente, sugerir o maravilhoso filme “A batalha de Argel”, que conta o processo da libertação da Argélia do domínio francês e como a tortura foi utilizada pelos franceses contra os argelinos. Mas sugiro que peguem a edição que tem o depoimento dos generais e comandantes franceses, confessando a tortura, numa edição extra que saiu há pouco tempo.
 
Meu e-mail: jeovabjunior@yahoo.com.br
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Jeová Barros de Almeida Júnior – Advogado, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com pós-graduação em Direito Empresarial, pela Fundação Getúlio Vargas e mestrando em Direito Penal Internacional pelo Instituto de Altos Estudos Universitários da Universidade de Granada, na Espanha.

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