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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ARTIGO: Dilma - Liderança e popularidade que não se alteram - Por Maurício Costa Romão



A avaliação positiva da gestão da presidente Dilma Rousseff, mensurada pela soma dos conceitos de ótimo e bom, era de 65% em março e caiu abruptamente para 30% no fim de junho (Datafolha), reflexo dos protestos de rua daquele período. 

Logo após a publicação daquela pesquisa de junho o marqueteiro da presidente, João Santana, desdenhando do potencial de corrosão eleitoral dos movimentos populares de então, tratando-os como episódicos e sem maiores conseqüências, vaticinou que em quatro meses a sua cliente recuperaria a popularidade perdida.

    AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO (%) DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF                                                                  VÁRIAS PESQUISAS NACIONAIS                                                                                                                                                                                                                                (agosto a novembro de 2013)
Conceito
agosto
setembro
outubro
novembro
Média
Ótimo + Bom
37
37
38
39
38
Fonte: elaboração própria com base em oito pesquisas nacionais

Esgotado o tempo prognosticado, o que se observa é uma recuperação apenas parcial da popularidade de Dilma em cerca de oito pontos, na média de oito pesquisas nacionais, reconquistados a partir de agosto e desde então teimosamente resilientes a alterações, conforme se depreende dos números desfilados na tabela acima.

Essa resistência dos eleitores em atribuir conceitos mais generosos à gestão da presidente Dilma é rescaldo das manifestações reivindicatórias do meio do ano que, inobstante hajam refluído enquanto movimentos de rua, permanecem latentes, impulsionadas pelas motivações que as ensejaram.

Sob esse prisma, então, de aprovação de governo – variável tida pelos especialistas como um dos principais fatores que influenciam a reeleição de incumbentes – há razões sobrantes para preocupações nas hostes petistas. Até porque essa variável independe dos cenários de intenção de votos. Mostra apenas como o eleitor avalia a administração governamental sem fazer associação com os postulantes que almejam gerenciá-la. 

Em termos de intenção de votos, as manifestações dos eleitores são um pouco mais favoráveis à presidente do que à apreciação que é conferida a seu governo. Na pesquisa de março deste ano o Datafolha registrou 58% de intenção de votos para Dilma no cenário mais plausível, o que continha Aécio Neves, Marina Silva e Eduardo Campos.

No fim de junho tais intenções de votos caíram para 30%, no mesmo cenário. Nos primeiros levantamentos de agosto, e nos que se seguiram até a erupção da aliança PSB-Rede, houve recuperação da presidente de cerca de oito pontos, em média, sempre no mesmo cenário e considerando pesquisas nacionais de vários institutos.

A partir da coalizão entre os partidos de Eduardo e Marina, a média de intenção de votos da pré-candidata petista alcançou o patamar de 42%, na configuração de disputa mais provável, contra Aécio Neves e Eduardo Campos. Embora não se possa comparar números que se originaram de cenários distintos, a zona de conforto da presidente parece mais ampla agora, contra dois candidatos,conforme pode ser visto na tabela a seguir.

PESQUISAS DE INTENÇÃO DE VOTOS (%) PARA PRESIDENTE DO BRASIL                                                                                  (outubro e novembro de 2013)
Candidato
Datafolha
Vox Populi
Ibope
Sensus
MDA
Média
Dilma Rousseff
42,0
43,0
41,0
40,2
43,5
41,9
Aécio Neves
21,0
20,0
14,0
18,0
19,3
18,5
Eduardo Campos
15,0
10,0
10,0
10,6
9,5
11,0
B/N/N*/NS/NR
23,0
27,0
35,0
31,3
27,8
28,8
  Data
11/out
11-13/out
12-21/out
17-21/out
31-4/nov

B = Branco; N = Nulo; N*= Nenhum; NS = Não sabe; NR = Não respondeu
Fonte: elaboração própria com base nas pesquisas listadas

De fato, no cenário mais provável de acontecer, a diferença média de intenções de voto entre Dilma e seus concorrentes é de um pouco mais de 12 pontos, o que possibilita seja o pleito encerrado no primeiro turno, se a eleição fosse hoje. 

Ainda assim, nota-se que o percentual atribuído à presidente nesta pesquisa de novembro do MDA difere muito pouco dos registrados nos levantamentos de outubro. Tal proximidade numérica suscita especular se não estaria ocorrendo aí, no campo das intenções de voto pós-junção Eduardo/Marina, o mesmo fenômeno de constância (38%) detectado nas pesquisas anteriores à celebração da referida aliança, só que agora num patamar ligeiramente superior (42%)?.

Enfim, a presidente continua favorita a permanecer no cargo, até pelo protagonismo que a condição de incumbente lhe confere. Entretanto, a alardeada liderança de intenções de voto que exibe hoje nas pesquisas carece de leitura mais crítica.
 
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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br

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