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sexta-feira, 20 de março de 2015

OPINIÃO E CRÍTICA: Quebra de confiança


Maurício Costa Romão, especial para o blog

A pesquisa nacional do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN) dos dias 12 a 15 deste mês de março, em parceria com o LeiaJá e o JC, mostrou um quadro desalentador para a presidente Dilma Rousseff: uma forte reprovação ao seu governo e tremendos danos à sua imagem enquanto pessoa confiável.

Os dados são muito semelhantes aos achados do último levantamento do Datafolha dos dias 16 e 17 de março que, por sua vez, retrata uma acentuada escalada de deterioração da popularidade da presidente em relação à pesquisa do mesmo instituto levada a efeito entre 3 e 5 de fevereiro. 

As razões dessa débâcle são conhecidas: anúncios e/ou implementação de medidas contrariando o discurso de campanha da presidente à reeleição, piora dos ambientes econômico e político do país e desdobramentos da roubalheira da Petrobrás.

De fevereiro para cá a situação se agravou, com notória intensificação das crises econômica, política e ética. Neste turbilhão, o desprestígio da presidente se acentuou, a ponto de a pregação pelo seu impeachment passar a ser corriqueira. 

A pesquisa IPMN (bem com as do Datafolha), publicada hoje no JC e no LeiaJá, põe por terra as assertivas de alguns dos simpatizantes e defensores da presidente de que os panelaços, as vaias, o pessimismo que reina no país, e os movimentos de rua do dia 15, foram instrumentalizados pela “elite branca conservadora” e pelas “classes média alta e rica”, segmentos pertinentes aos “perdedores da eleição”.

Não é o caso. A pesquisa mostra que o descontentamento com o governo da presidente, com sua imagem enquanto pessoa, com o desempenho da economia é generalizado e não adstrito apenas aos que mais possuem. Em todos os estratos socioeconômicos a presidente é altamente reprovada. 

O grande dano à imagem da presidente - e o maior responsável pelo seu alarmante índice de rejeição - foi causado pela abissal diferença entre o que a mandatária disse na campanha da reeleição e o que ela fez depois. Há um sentimento generalizado de que a presidente mentiu para os brasileiros.

Basta dizer que na pesquisa do IPMN apenas 9% das pessoas confiam plenamente na presidente, enquanto 65% não confiam, ou o fazem apenas parcialmente (25%). No Centro-Oeste, por exemplo, estes índices são estarrecedores: 3%, 78% e 17%, respectivamente. A pessoa de Dilma não mais transmite confiança para a maior parte da população.

Em síntese, pois, a evidência empírica da pesquisa IPMN atesta que o sentimento de frustração dos brasileiros com a presidente, com sua imagem e com seu governo está espraiado nos diversos estamentos sociais e geográficos, dos mais pobres aos mais abastados, dos mais instruídos aos menos escolarizados, dos mais jovens aos mais idosos, entre homens e mulheres, e de Norte a Sul.

Deixar de transferir responsabilidades e de mitigar a realidade, reconhecendo desacertos na condução do país, é o primeiro e mais importante passo que a presidente precisa dar para o árduo percurso de superação da crise atual. 

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Cenário Inteligência e do Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau.
http://mauricioromao.blog.br. 



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