domingo, 23 de março de 2014

Rafael Brasil comenta texto de Moacir Japearson sobre a volta da Ditadura

Ronaldo,

Concordo com o texto (de Moacir Japearson). Se ditadura fosse boa, estaríamos no primeiro mundo, pois nossa História republicana foi marcada essencialmente pelo autoritarismo. 

Toda ditadura é nefasta. Porém, ninguém mais se lembra da ditadura varguista do chamado estado novo. Foram cerca de sete anos de ditadura, mas em termos absolutos foi bem pior do que a quartelada de 64 que duraria 20 anos. Foram presas cerca de sete mil, pessoas, enquanto a ditadura dos milicos prendeu cerca de cinco mil. Na ditadura varguista seria impossível uma imprensa funcionando e a edição de jornais como o pasquim, que foi fundado em 1969, depois da edição do famigerado AI 5. A ditadura getulista foi, ao que parece, "anistiada" pelas esquerdas, que depois se uniram ao próprio Getúlio. 

É isso aí. Um abraço caro Ronaldo, e todos os dias acesso o seu excelente blog. 

Saudações democráticas e rubronegras, Rafael Brasil.
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AGORA COMIGO: Rafael foi meu professor de Ciência Política no curso de Direito. Já havíamos divididos as páginas do Correio Sete Colinas, como colaboradores de Roberto Almeida. Trata-se de uma das cabeças mais privilegiadas do Agreste sobre os aspectos históricos e do desenvolvimento da política mundial. Ora concordávamos, ora discordávamos, e a amizade foi construída sobre o conhecimento e o debate. Um exemplo! Um social-democrata socialista. Será isto?

Saudações tricolores, professor, que bom que gostou do artigo do Moacir, um jovem brilhante na escrita e na cabeça!


PS: Caro Ronaldo, não sou mais socialista. Sou um liberal de direita, e com muito orgulho. Porém gosto de conversar com gente inteligente, que aceite o debate e a saudável divergência democrática. Parafraseando a comunista Rosa de Luxemburgo, democracia é um regime que respeita o dissenso, a minoria. Só não gosto é de mentalidades autoritárias, ou mesmo totalitárias, petrificadas em grande parte das nossas esquerdas, infelizmente. Como diria Gabeira, a esquerda precisa urgentemente ser repensada. E o país precisa do fortalecimento de uma esquerda verdadeiramente democrática.
Um abraço, Rafael Brasil.

sábado, 22 de março de 2014

Magno Martins, Jamildo Melo e Maurício Romão fazem análise política




Um debate sobre o movimento das ruas e a repercussão que ainda pode ter nas eleições deste ano, foi o tema do encontro dos blogueiros e jornalistas políticos na terça-feira do Congresso Pernambucano de Municípios, no Centro de Convenções de Olinda. Magno Martins, Jamildo Melo e Maurício Costa Romão proferiram palestras, coordenada pelo prefeito de Garanhuns, Izaías Régis, que preferiu não se pronunciar, limitando-se a mediar a ordem das palestras e depois de abrir os microfones à plateia, que aliás, precisou de uma sala maior. 

Havia também na temática a questão da Gestão Pública, pouco explorada pelos palestrantes, e menos ainda pelo mediador. A voz das ruas se mostrou ainda tão forte que dominou a tarde das palestras.

Iniciando pelo colunista deste blog, Maurício Costa Romão, ex-secretário da Administração de Pernambuco, apresentou uma ampla conjuntura mostrando a voz das ruas no mundo, quando há dois anos em diversos países, a população foi para as ruas: Tunísia, Islândia, Egito, Espanha, Grécia, Portugal, Arábia (Primavera), Venezuela, Chile, Ucrânia, etc. Em comum, as injustiças sociais e pseudodemocracias.
No Brasil, Maurício reafirmou a força das redes sociais, que deixaram o mundo virtual e materializaram a inquietação pelos péssimos serviços públicos, a corrupção instalada sistematicamente, altos impostos e outros temas de forte impacto social. Não foi direcionada a uma instituição política, e respingou em todo o sistema. Acabou por mostrar sentimentos anti-governo e anti-política, principalmente os que estão atualmente no poder. O palestrante ainda vê focos de tensão social, embora não acredite mais em manifestações com a mesma intensidade do ano passado.

Magno Martins continuou analisando os movimentos e trouxe outros momentos do povo nas ruas: O impeachment e Collor e o Diretas Já, embora esta tivesse a força dos partidos de esquerda na época, com seus líderes provocando o movimento. A nova Voz das Ruas não tem líderes, foi a própria população que se motivou pelas redes sociais. Mas tende a esvaziar pela violência dos últimos encontros e a participação dos Black Blocs, que segundo Magno, é patrocinado pelo governo e pelo PT, para tirar o povo das ruas. "O PT é o principal beneficiado pelos Black Blocs".

Jamildo Melo aprovou as primeiras manifestações e acha que não irão se repetir. "Dilma caiu do cavalo. O governo já contava com a reeleição tranquila. Ela não atendia mais ninguém. E aí veio o movimento e o governo precisou repensar a atuação. Decisões foram tomadas devido ao povo nas ruas".

Jamildo observou que as classes D e E não foram para as ruas, e deixou uma indagação se estas classes têm medo de perder a bolsa-família. "O movimento foi da classe média e dos estudantes" - observa. (Nota deste blog: É verdade, e interessante, pois se tratam de duas das classes mais atendidas pelo governo).

O blogueiro do Sistema Jornal do Commercio acredita que novas manifestações podem acontecer durante a Copa, mas não terão a mesma força de antes, por dois motivos: A população quer a Copa, e a violência afastou os manifestantes. "Ninguém quer violência. Ninguém tem o direito ao vandalismo para destruir casas, lojas comerciais, prédios comerciais, órgãos públicos, ônibus,..."

Continuando:"As pessoas ainda estão cobrando, mas devem entender que mudanças não acontecem na velocidade da internet.Não se muda um país de uma hora para outra. Mas coisas interessantes estão acontecendo. Acabaram os camarotes oficiais do carnaval. O prefeito de Caruaru já anunciou que não tem também no São João de lá. Isto é uma resposta às ruas. Não deve ter também a Fun Fest, que poderia servir de palco para novas manifestações" - finalizou.

ELEIÇÕES: As perguntas do público foram sobre a eleição estadual e a candidatura de Eduardo Campos à presidência. Alguns pontos foram tocados como a questão do governador herdar os votos de Marina Silva, se ela terá a capacidade de transferência dos seus 20 milhões de votos em 2010. A candidatura de Aécio como sendo do patronato, do capital e da grande mídia, além de ter um partido grande, diferentemente de Eduardo.

Foi mostrado também que embora Dilma tenha votos suficientes neste momento para vencer no primeiro turno, dados e fatos apontam para uma possível queda, pois está em litígio com o PMDB, a economia tem dado mostras de inconsistência, os movimentos que podem voltar a atormentar o governo, escândalos como o da Petrobras e a perda de apoio no Congresso. "Dilma não gosta de política, de tratar com deputados, prefeitos, estas coisas da política de governante. Ela gosta de mandar, gosta de gabinete, de números..." 

Estivemos no Congresso, visitamos os stands, com destaque para São Bento do Una, que mostrou a produção local, e ainda ganhei brinde (rsrsrs). Conhecemos o de Garanhuns também, que mostrou obras de nossos mestres artesãos. 

Na área dos stands, várias empresas que prestam serviços à prefeituras e órgãos do estado. Encontramos o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, organizadora do evento, José Patriota, prefeito de Afogados da Ingazeira.

No Congresso Pernambucano de Municípios, o governador Eduardo Campos anunciou o FEM 2014, que deve beneficiar Garanhuns em mais de R$ 2,5 milhões.


Enfim, está aí. Devíamos este artigo do evento que participamos.

AGENDA 40 EM GARANHUNS: Eduardo Campos, Paulo Câmara, Fernando Bezerra e Raul Henry participam do encontro

Paulo Câmara participa do AGENDA 40 em Garanhuns

Os socialistas realizam uma reunião ampliada da AGENDA 40 – Agreste Meridional, neste domingo (23) em Garanhuns. O encontro reúne as principais lideranças regionais da Frente Popular, sob o comando do governador Eduardo Campos.

Serão apresentadas as diretrizes iniciais para discussão do programa de governo da Frente Popular de Pernambuco. O evento contará com a presença do Presidente Nacional do PSB e pré-candidato a Presidente da República, Eduardo Campos, e dos pré-candidatos à chapa majoritária, Paulo Câmara, Raul Henry e Fernando Bezerra Coelho.

A Agenda 40 acontece nos salões da AGA, a partir das 08:30h, com o credenciamento.

O blog cobrirá o encontro.

DITADURA NUNCA MAIS - Por Moacir Japearson




Vejo um movimento no facebook pela volta do governo militar. Eu entendo pouco de política, embora tenha tido um avô prefeito e um tio-avô deputado estadual, mas gosto mais de ler sobre história, e muitas vezes essas duas coisas se encontram. 

Leio muito sobre revolução francesa e acho esse período um dos mais incríveis, porque foi lá que a democracia tomou nova cor e temperatura. Quando passo pela Ile Saint Louis em direção à Bastilha, que nem existe em pé mais, me arrepio todo. 

Estive recentemente no Chile, e lá os resquícios de uma das ditaduras mais fechadas da América Latina ainda estão vivíssimos, e ainda refletem no comportamento dos chilenos, são ainda muito reservados. Ainda hoje ditadura lá é um assunto meio que proibido. A única referência que vi sobre a ditadura em Santiago foi na Rua Londres, em uma casa que serviu de local de tortura na época de Pinochet. Na calçada da casa no número 33, por aí, há inúmeras placas com nomes de jovens mortos e torturados ali, somente porque de uma forma ou de outra não queriam seguir a cartilha do governo que entrou à base da força e sob o signo do golpe militar. Nenhum deles com mais de trinta anos. Tenho fotos da calçada, alguém quer?
A ditadura argentina foi uma das mais lasqueiras, e nesses dois exemplos ela foi basicamente extraquartel. A ditadura brasileira foi basicamente aquartelada, houve tortura dentro dos quartéis, quartéis estes mantidos por dinheiro público.

Os únicos chilenos e argentinos que querem a volta da ditadura são aqueles que direta ou indiretamente ganharam alguma coisa com a ditadura. Em beneficio próprio, não do bem geral. Eu tenho alguns parentes militares e acho que há que se fazer uma separação ente ditadura e militares hoje. Os militares nos prestam (prestaram) um serviço sem tamanho e vão onde quase ninguém quer ir. Mas daí a achar que a ditadura, nas atuais condições de pressão e temperatura, é a melhor opção pro país, aí são mais outros quinhentos.

Nós já vivemos em uma ditadura extra governo. Já temos tortura patrocinadas e não patrocinadas pelo estado. Temos corrupção. Temos um sem número de ditadores nas mais variadas esferas do poder público e do poder privado. 

Há censura em muitos meios de comunicação, conheço alguns jornalistas que rezam somente a cartilha do chefe. E se falam o que querem e isso contradiz a retórica do dono do jornal ou da televisão, o cancão pia e o cabra perde o emprego. E há jornalistas que rezam e pensam como o dono do jornal ou da televisão, e sabe que seu pensamento não é o mais correto e justo. Mesmo assim rezam.

Pra que ditadura? a gente ainda vive nela.

A gente precisa de outra coisa. Ditadura não. A gente já vive várias. O grande problema no Brasil é que a direita é burra e a esquerda cega.


*Moacir Japearson é Cirurgião-Ortodontista

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